PESQUISA SÓCIO-ANTROPOLÓGICA
EE. “ESTADUAL DR. ADALMÁRIO JOSÉ DOS SANTOS” DE LAJINHA – MG
20ª Superintendência Regional de Ensino de Manhuaçu
RELATÓRIO DESCRITIVO E REFLEXIVO SOBRE O COTIDIANO DA E.E.DR. EE. “ESTADUAL DR. ADALMÁRIO JOSÉ DOS SANTOS” DE LAJINHA – MG
INTRODUÇÃO
Esta é uma reflexão sócio antropológica que analisa aspectos socioculturais da escola em que trabalho, dando ênfase a analise da relação entre sua estrutura organizacional (principais normas, procedimentos padrões, objetivos, distribuição e função original dos espaços, manifestações culturais valorizadas) e as microinterações construídas em seu interior (os diferentes grupos, suas características e expressões culturais; formas de sociabilidades; qual a real utilidade dada aos espaços, os sentidos atribuídos pelos alunos do espaço escolar) e as diferenças variações entre esses grupos, compreendendo-a como espaço sócio-cultural.
METODOLOGIA
Esta pesquisa se refere a uma proposta de análise socio antropológica calcada nos direitos iguais para todos e abre portas para discussão sobre a necessidade de participação da comunidade escolar, parcerias públicas e particulares, auxiliares técnicos que garantam a participação e oportunidades iguais para todos e trata das características socioculturais dos membros da instituição escolar em que atuo refletindo sobre seus costumes, comportamento, organização social e se relaciona com várias dados legais, culturais e educacionais.
Fiz pesquisas em documentos realizados pelo Serviço de Coordenação Pedagógica e órgãos de pesquisa como IBGE e CEDINE.
A pesquisa traz subsídios para tentar conceituar melhor as ideologias, relações estabelecidas, correntes teóricas, integração da comunidade escolar, dificuldades, processos, estigmas e adaptação ao ambiente. Busca também contextualizar a experiência, analisando dados e finalmente, busca reinterpretar essa experiência e os seus resultados à luz da realidade atual e os desafios a enfrentar.
Por se tratar de uma construção de conhecimento por parte dos professores, alunos, pais, autoridades, cidadãos comuns, que é possível falar na perspectiva de uma inclusão educacional transformadora, na medida em que participa na constituição de uma nova perspectiva social de todos.
O estudo realizado é então um ensaio de muitos temas que precisam ser refletidos,
reorganizados e delimitados no ambiente escolar, social, familiar, político e religioso a fim de que a escola se torne uma aprendizagem efetiva de relacionamento humano.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Com a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade a Escola Estadual Dr. Adalmário José dos Santos, mantém as 4 ultimas séries do ensino Fundamental e ensino médio. Seu objetivo se baseia no desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos, habilidades e a formação de atitudes e valores e o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
A escola também trabalha o desenvolvimento da autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito, compreensão dos direitos e deveres de cidadão, sensibilidade, criatividade, diversidade de manifestações artísticas, culturais e estéticas; interação de ação participativa coma comunidade; espírito critico,
O Ensino Médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, tem como finalidade a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
O aprimoramento do aluno como pessoa humana incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico é também uma das principais preocupações da escola.
Há a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos, dos processos de atualização e assimilação de idéias e conhecimentos, como também de produção, experimentação e aprendizagem de novas técnicas definidos dentro dos parâmetros autênticos culturais, por isso também desenvolvem no aluno valores como sensibilidade artística, cultural e musical;
O ensino médio tem um importante papel a desempenhar. Sua expansão pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional. Pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. Ao final de alguns anos, resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social, econômica, cultural e etária do alunado do ensino médio.
Se o fluxo escolar fosse regular, o ensino médio teria muito mais aluno, mas tem bem menos que metade de jovens desta faixa etária. É muito pouco, mas elevadas taxas de repetência no ensino fundamental levam os jovens a chegarem ao ensino médio bem mais velhos. Há também um grande número de adultos que volta a escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental.
ENSINO MÉDIO PROFISSIONALIZANTE
Em virtude dessas situações, o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino. O numero reduzido de matrículas no ensino - apenas cerca de 30,8% da população de 15 a 17 anos não se explica, entretanto, a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental. O ensino médio convive, também, com alta seletividade interna. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino, os índices de conclusão sinalizam que há muito a ser feito: 74% dos que iniciam o ensino médio conseguem conclui -Io. A exclusão ao ensino médio deve-se a causas econômicas, sociais e pedagógicas. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização, agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino - aprendizagem.
Existe a intenção de ampliação desse nível de ensino na escola que hoje conta com o curso de magistério de 1º grau e um projeto de especialização em educação pré-escolar: uma educação que propicia aprendizagem de competências de caráter geral, formando pessoas aptas a lecionar nas series iniciais.
O aumento lento, mas contínuo, do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória, associado a tendência para a diminuição da idade dos concluintes vai permitir que um crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa. Assim, a demanda pelo ensino médio vai compor-se, também, de segmentos já inseridos no mercado de trabalho, que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar, produtivamente, recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação.
A implementação do currículo favorece as atividades interdisciplinares e o estudo de temas transversais, de modo a relacionar conteúdos da aprendizagem com a formação de valores sociais e éticos.também prepara o aluno para o trabalho
O planejamento tem caráter flexível, tendo o professor liberdade em seu desenvolvimento de modo a assegurar a devida unidade do processo de ensino e aprendizagem prática e sua preparação considera a experiência de vida e de trabalho dos alunos.
OPORTUNIDADES DE INCLUSÃO
Uma das modalidades da educação básica oferecida pela escola é a educação de Jovens e Adultos (EJA), que se destina àqueles que desejam retomar os estudos, no ensino fundamental ou médio, numa estratégia diferenciada. A matrícula nos cursos de EJA é opção do candidato com idade mínima de 15 e 18 anos, respectivamente, nos ensinos fundamental e médio. A idade mínima para conclusão de estudos da EJA, através de exames de massa, é de 15 e 18 anos, respectivamente, para os ensinos fundamental e médio.
Além disso a escola oferece oportunidade às crianças que apresentem dificuldades de aprendizagem um programa de assistência especializada, em tempo integral na escola, com vistas a integrá-las no ensino regular comum.
ESTRUTURA ADMINISTRATIVA
A organização administrativa fundamenta-se no princípio da gestão democrática facilitada pela atuação do Colegiado, que tem funções de caráter consultivo e deliberativo e representa a comunidade escolar nos assuntos referentes à gestão pedagógica, administrativa e financeira:
Ações que visem a melhoria da educação, sobretudo aquelas que considerem os resultados das avaliações internas e externas e de pesquisas educacionais são analisadas conjuntamente: Direção, colegiado, corpo docente e comunidade escolar em reuniões.
A Secretaria executa e controla o serviço burocrático e administrativo da escola.
O Especialista de Educação articula o trabalho pedagógico da Escola, coordenando e integrando o trabalho do corpo docente, discente e de seus familiares em torno de um eixo comum; o ensino-aprendizagem pela qual perpassam as questões do professor, do aluno e da família, articulando o envolvimento da família no processo educativo, identificando, junto com os professores, as dificuldades de aprendizagem dos alunos; orientando os professores sobre as estratégias mediante as quais as dificuldades identificadas possam ser trabalhadas em nível pedagógico; encaminhando a instituições especializadas os alunos com dificuldades que requeiram um atendimento especializado; além de promover, com a ajuda dos professores o levantamento das características sócio-econômicos e culturais do aluno e sua família, analisando com a família os resultados do aproveitamento do aluno, orientando-o se necessário para obtenção de melhores resultados e oferecendo apoio ao aluno.
A escola oferece uma biblioteca e uma sala de informática com 10 computadores ligados a internet que atende a professores e alunos, facilitando-lhes informações necessárias às pesquisas e trabalhos, ajudar e estimular os alunos na formação de hábitos de leitura e na correção de atividades, face aos problemas da busca de conhecimentos.
O pessoal do serviço geral é necessário ao bom andamento e funcionamento no processo educativo, cabendo. Além de zelar pela escola, realizam trabalhos de limpeza e de conservação dos móveis, utensílios e equipamentos; preparam e distribuem merenda escolar zelando pela boa ordem e higiene da escola.
O serviço da Biblioteca tem por finalidade atender aos professores e alunos facilitando -Ihes informações necessárias às pesquisas e trabalhos, ajudar e estimular os alunos na forma de hábitos de leitura e na correção de atividades, face aos problemas da busca de conhecimento, proporcionando condições para o desenvolvimento de habilidades e pesquisas, proporcionando um ambiente atrativo para a formação de hábitos e gosto pela leitura.
O Conselho de Classe tem por objetivo servir de fórum de discussão para definição de objetivos a serem alcançados em cada disciplina, do ano de escolaridade do CicIo; uso de metodologias e estratégias de ensino; critérios de seleção de conteúdos curriculares; projetos coletivos de ensino e atividades; normas de acompanhamento dos alunos em seus percursos nos ciclos; critérios para apreciação do desempenho dos alunos ao longo e ao final dos ciclos; elaborando fichas de registro para informação aos pais; normas de relacionamento com a família; adaptações curriculares para os alunos portadores de necessidades educativas especiais. O Conselho de Classe será constituído pelo pessoal Docente e Técnico Pedagógico a qual compete manter a unidade de atuação necessária ao seu funcionamento. Sempre que julgar necessário, o Conselho de Classe, poderá convidar pais de alunos para suas reuniões e o que for tratado em reuniões deverá ser esclarecidos e resguardados os assuntos discutidos entre os participantes.
O Colegiado Escolar tem funções de caráter deliberativo e consultivo nos assuntos referentes a gestão pedagógica, administrativa e financeira. Além de participarem da elaboração, implementação e avaliação da Proposta Política Pedagógica da Escola; acompanhar o processo de composição do Quadro de Pessoal da escola; acompanhar e aprovar a aplicação dos recursos orçamentários e financeiros da escola; participar dos processos de avaliação da escola, de forma articulada com Sistema de Avaliação da Educação Pública.
Esta escola mantém laboratórios de ciências para desenvolver metodologias diversificadas que propiciem a reconstrução do conhecimento, mobilize o raciocínio, a experiência, a solução de problemas e outras competências cognitivas e afetivas e fornece condições de atendimento da tecnologia como instrumento de articulação com a vida pessoal, social e no trabalho favorecendo condições de aquisição de conhecimentos físicos, químicos e biológicos.
O ALUNO
Nossa escola pretende formar o aluno nos aspectos moral, social, intelectual e religioso, proporcionando a formação integral tendo como referência seus interesses e necessidades, e complementando a educação recebida no lar, formando um espírito ativo, crítico e reflexivo
Os alunos que freqüentam nossa escola nos 3 turnos são moradores da zona urbana e rural de nossa cidade. No turno matutino há uma predominância de alunos provenientes da zona rural que são trazidos pelo transporte escolar de várias regiões da cidade. No turno vespertino se concentra mais alunos da zona urbana e de classe social média. No turno noturno a predominância é de alunos maiores de idade que já atuam no mercado de trabalho.
Na sua maioria, participam das atividades escolares, sociais, cívicas e recreativas, destinadas à sua formação promovidas pelo estabelecimento e são tratados com respeito, atenção e urbanidade, por todos os funcionários do estabelecimento. São alunos que freqüentam assiduamente as aulas e demais atividades escolares, respeitam regras e pessoas com docilidade, contribuindo assim para a elaboração moral do nome do estabelecimento e promovendo seu prestigio.
Conservam hábito de bons costumes como respeito, honestidade. Desempenham a contento as atividades escolares que são solicitadas. Recebem material didático de uso individual e necessário da escola.
A cidade não é violenta e o índice de criminalidade é pequeno, mas ainda assim a escola oferece segurança para o aluno, além do uso do uniforme, que é estimulado junto aos alunos e suas famílias, oferecendo identificação (outra forma de segurança e vigília), tranqüilizando assim suas famílias.
O regime Disciplinar da escola, baseado no princípio de liberdade com responsabilidade, tem o objetivo de conscientizar a comunidade escolar da importância de sua participação na consecução dos objetivos da Escola e os incentiva a participar do processo educacional, sensibilizando a família e a comunidade, tornando-as colaboradoras na tarefa de educar; garantir a perfeita observância da ordem na Escola, evitando sanções e punições.
A organização das classes se fundamenta em critérios que garantam o atendimento aos alunos no processo de aprendizagem oferecendo um ensino de qualidade, que terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; fortalecimento dos vínculos de família, de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social; capacitar o educando, através de suas atividades, a adquirir e a desenvolver os conhecimentos atualizados que lhe permita interagir no mundo que o cerca e o desenvolvimento das atividades pedagógicas integradas, contínuas e progressivas, que atendam as suas características bio-psico-social.
O PROFESSOR - PRÁTICA PROFISSIONAL E ÉTICA
Ao professor é oferecido uma sustentação para que exerça seu mandato de forma satisfatória, que liga, articula, organiza, valoriza e atribui significação à sua prática educacional. O sucesso está na dependência da atuação de professores, pais e pessoas que estejam aptos a dar continência às necessidades específicas de cada um, o que nem sempre é possível, mas abre portas para discussão sobre a necessidade de gerar recursos que garantam a participação coletiva.
Exercendo sua função de educador nossos professores se preocupam com a formação moral, religiosa e cívica o que contribui para a formação integral dos alunos. O clima entre eles é favorável ao desenvolvimento do processo educacional e espírito de cooperação. Eles mantém intercâmbio com a família do aluno visando sua participação nas atividades de capacitação da escola. Ao analisar os resultados obtidos com as atividades dos alunos, procuram tomar medidas recuperadoras que usam estratégias mediante as quais as dificuldades identificadas possam ser trabalhadas, em nível pedagógico, utilizando assim, os resultados da avaliação como diretriz para as diversas atividades e replanejamento do trabalho escolar.
Ao professor, é oferecido uma rede de sustentação social que o integra à uma rede de apoio, que liga, articula, organiza, e o valoriza, além de atribuir significação à sua prática educacional. Rede de apoio e inserção comunitária, demanda uma mudança na maneira de pensar e de produzir conhecimento e uma disponibilidade para adotar novos paradigmas educacionais, que vêem o sujeito do conhecimento, como um articulador das relações e ainda se põe como responsável pelo caminho que toma na formação da rede de apoio. Para isto é preciso refletir com as redes comprometidas com o aprender: qual a queixa, trazida pelo aluno e por sua família? Como se dá seu aprendizado? Qual a história de vida do sujeito e da família? Como reagem às necessidades e frustrações?
DlRETRIZES CURRICULARES
A atualidade do currículo, valorização um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade, abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. As novas concepções pedagógicas, embasadas na ciência da educação, sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores.
Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. Além do currículo composto pelas disciplinas tradicionais, propõem a inserção de temas transversais como ética, meio ambiente, pluralidade cultural, trabalho e consumo, entre outros. Deve-se assegurar a melhoria da infra - estrutura física das escolas, generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia, contemplando-se desde a construção física, com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais, até os espaços especializados de atividades artístico - culturais, esportivas, recreativas e a adequação de equipamentos.
ESPAÇO FÍSICO
O espaço é bem iluminado, ventilação, água potável, possui rede elétrica bem feita, oferece segurança. As instalações sanitárias são higiênicas. Os espaços para esporte, recreação, biblioteca e serviço de merenda escolar são adaptados corretamente, inclusive para atendimento das pessoas portadoras de necessidades especiais. O mobiliário é adequado em numero suficiente. Sala de informática ligada a internet via Embratel. Equipamento multimídia para o ensino em bom estado. O transporte escolar as zonas rurais é oferecido pelo Município, de forma a garantir a escolarização dos alunos da zona rural.
OPORTUNIDADE DE RECUPERAÇÃO
Os alunos que não obtiverem êxito na avaliação deverão ser recuperados pelo professor. A recuperação é contínua e se dá de forma concomitante ao processo de ensino-aprendizagem. O professor ao detectar alguma dificuldade no desempenho do aluno em relação aos objetivos propostos, fará uma revisão dos procedimentos, recursos, conteúdos e objetivos da unidade de aprendizagem com vistas ao progresso satisfatório de todos os alunos. Ao revisar e fixar a aprendizagem o professor deverá diversificar os procedimento e recursos didáticos, a fim de que todos os alunos adquiram condições de prosseguirem os estudos.
Professores e alunos apresentam boas relações, demonstram ter consideração para com o outro, atitudes prestativas e de interesse humanitário, desenvolvendo dessa forma uma relação e um ambiente positivo na escola. Os alunos estão sendo preparados para serem alunos críticos em relação à sua aprendizagem, em relação aos colegas e educadores e este é um fator importante para o seu crescimento enquanto cidadão. O ambiente de trabalho desenvolve a auto-estima, criando capacidade para aceitar idéias e desafios com flexibilidade às mudanças.
A relação entre funcionários e direção de nossa escola baseia-se no diálogo recíproco, caracterizado por ações concretas e estímulos que os levem a resolver problemas em conjunto, tomar decisões, harmonizar conflitos, solicitando ajuda e pedindo opiniões para que possam, em conjunto, buscar o melhor caminho para a transformação e a construção de um ambiente escolar ideal.
A escola utiliza o Boletim escolar para informar os pais ou responsáveis pelos alunos, sua freqüência e desempenho periodicamente.
AVALIAÇÃO
A avaliação tem pôr finalidade verificar o desempenho do aluno e aperfeiçoar o processo ensino aprendizagem em um processo contínuo do qual devem participar professores, especialistas e alunos. Predominando os aspectos qualitativos da aprendizagem sobre os quantitativos. Na apreciação dos aspectos qualitativos são levados em conta a compreensão dos fatos, a percepção das relações, a aplicação do conhecimento, a capacidade de análise e síntese além de outras habilidades.
A escola tem seus princípios e seus ideais voltados para a qualidade do ensino. É uma escola dinâmica, criativa, sintonizada no tempo e espaço, atendendo a toda comunidade em que está inserida. Seus servidores demonstram inquietações e anseios no que diz respeito a realidade social em que está inserida a escola na busca de educar para a vida, com qualidade, tornando-se um elo primordial para o sucesso do aluno.
A escola esta empenhada em proporcionar a formação de um cidadão participativo, crítico, coerente, por isso criou-se um compromisso envolvendo a comunidade escolar para esse compromisso coletivo se tornar eficaz.
INTERAÇÃO FAMILIAR, SOCIAL E EDUCACIONAL.
A grande maioria dos que ingressam na escola pública ainda não se apropriou de determinados signos utilizados nesse espaço. Esta realidade normalmente é entendida pelos professores como uma incompetência individual. Os profissionais da educação precisam ampliar sua compreensão do fato através de interações sociais que já foram propiciadas ao aluno. A escola deve proporcionar interações diferenciadas para alunos em diferentes níveis de desenvolvimento, objetivando que todas tenham acesso aos elementos fundamentais para o desenvolvimento.
Os pais, incluídos no processo, deixam de ser espectadores e passam a ser parceiros nas busca de soluções. Delimitar funções, responsabilidades, contar com o apoio de um sistema mais amplo e sobretudo, ter a quem recorrer, são algumas possibilidades do trabalho dar certo na escola. Todos ganham, por isso a educação deve estar vinculada com a humanização.
A sociedade percebe que seu papel não é restrito a achar esta luta bonita, mas participa para que ela realmente ocorra. Acessibilidade, interação, respeito e oportunidade de trabalho digno são fundamentais.
POLÍTICAS DA EDUCAÇÃO
Onde está o público alvo? Não importa de qual grupo estamos falando: negros, pobres, gordos, homossexuais, crianças, idosos, mulheres, portadores de incapacidades e deficiências físicas e mentais, a população desfavorecida economicamente ou alvo de estigmas sociais de toda ordem. Existem fatores que facilitam a inclusão na educação, alguns deles indispensáveis, que visem provisões para o bem-estar geral. Isso significa um sistema de instituições públicas protegidas por lei, supervisionadas pela política, que garanta: igualdade de todos aos serviços sociais, incluindo prevenção, tratamento, assistência, reabilitação; educação obrigatória pelo menos até os 18 anos, dirigida para o potencial do indivíduo. Além dessas provisões gerais, há necessidade de políticas públicas e instrumentos políticos para investimentos em infra-estrutura, como transporte, telecomunicações, mídia e cultura, com acesso igual para todos.
Tendo em vista os altos índices de evasão, repetência e dependência há também necessidade de reestruturação nas metodologias visando melhorar o desempenho de nossos alunos através de um trabalho interdisciplinar cooperativo.
CONCLUSÃO
A escola divulga amplamente os dados relativos a indicadores e estatísticas do desempenho escolar dos alunos e resultados obtidos pela escola nas avaliações externas assim como as medidas, projetos, propostas e ações desenvolvidas e previstas pela escola para melhorar sua atuação.
Considera-se o número de alunos matriculados por fase, ciclo ou série e o resultado do desempenho de acordo com a modalidade de ensino para se adotar medidas no sentido de melhorar o processo pedagógico e garantir o sucesso escolar evitando a evasão escolar.
A missão desta Escola é um centro de direitos e deveres, onde se recebe formação. É uma Escola voltada para a solidariedade, a cooperação, a ajuda mútua, a liberdade com responsabilidade, formação de atitudes, enfim um olhar para a socialização do saber, buscando os ideais de uma escola futurista.
Em busca de uma educação de qualidade para todos tentamos colocar em pratica o exercício da cidadania no cotidiano de nosso meio educacional abrindo discussões sobre a igualdade de direitos, a dignidade do ser humano, a recusa de qualquer forma de discriminação, a importância da solidariedade e do respeito, revendo o papel da escola e sugerindo novas metodologias para desenvolver em nossos alunos capacidades cognitiva, física, afetiva e de relações interpessoal, estética, ética e de inserção social.
Isso demanda uma disponibilidade para adotar novos paradigmas educacionais, que nos coloca como responsáveis pelo caminho que tomamos na formação do apoio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• XX Congresso Nacional das APAEs, I fórum: Passaporte para a cidadania (pp. 247-270). Brasília: Federação nacional das Apaes, 2001
• AZEVEDO, Janete M. Lins de. A educação como política pública: polêmicas do nosso tempo. São Paulo: Autores Associados,1997.
• BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9.394 de 20 de dezembro de 1996.
• CEDINE
• GENTILI, P. (org.). Pedagogia da Exclusão - crítica ao neoliberalismo em educação. 7.ed.Petrópolis: Vozes, 1998.
• GOULART, Iris B. Políticas Públicas de Qualidade: o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE). In: Minas Gerais. Escola Pública de qualidade: O Plano de Desenvolvimento da Escola. Belo Horizonte, 1998.
EE. “ESTADUAL DR. ADALMÁRIO JOSÉ DOS SANTOS” DE LAJINHA – MG
20ª Superintendência Regional de Ensino de Manhuaçu
RELATÓRIO DESCRITIVO E REFLEXIVO SOBRE O COTIDIANO DA E.E.DR. EE. “ESTADUAL DR. ADALMÁRIO JOSÉ DOS SANTOS” DE LAJINHA – MG
INTRODUÇÃO
Esta é uma reflexão sócio antropológica que analisa aspectos socioculturais da escola em que trabalho, dando ênfase a analise da relação entre sua estrutura organizacional (principais normas, procedimentos padrões, objetivos, distribuição e função original dos espaços, manifestações culturais valorizadas) e as microinterações construídas em seu interior (os diferentes grupos, suas características e expressões culturais; formas de sociabilidades; qual a real utilidade dada aos espaços, os sentidos atribuídos pelos alunos do espaço escolar) e as diferenças variações entre esses grupos, compreendendo-a como espaço sócio-cultural.
METODOLOGIA
Esta pesquisa se refere a uma proposta de análise socio antropológica calcada nos direitos iguais para todos e abre portas para discussão sobre a necessidade de participação da comunidade escolar, parcerias públicas e particulares, auxiliares técnicos que garantam a participação e oportunidades iguais para todos e trata das características socioculturais dos membros da instituição escolar em que atuo refletindo sobre seus costumes, comportamento, organização social e se relaciona com várias dados legais, culturais e educacionais.
Fiz pesquisas em documentos realizados pelo Serviço de Coordenação Pedagógica e órgãos de pesquisa como IBGE e CEDINE.
A pesquisa traz subsídios para tentar conceituar melhor as ideologias, relações estabelecidas, correntes teóricas, integração da comunidade escolar, dificuldades, processos, estigmas e adaptação ao ambiente. Busca também contextualizar a experiência, analisando dados e finalmente, busca reinterpretar essa experiência e os seus resultados à luz da realidade atual e os desafios a enfrentar.
Por se tratar de uma construção de conhecimento por parte dos professores, alunos, pais, autoridades, cidadãos comuns, que é possível falar na perspectiva de uma inclusão educacional transformadora, na medida em que participa na constituição de uma nova perspectiva social de todos.
O estudo realizado é então um ensaio de muitos temas que precisam ser refletidos,
reorganizados e delimitados no ambiente escolar, social, familiar, político e religioso a fim de que a escola se torne uma aprendizagem efetiva de relacionamento humano.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Com a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade a Escola Estadual Dr. Adalmário José dos Santos, mantém as 4 ultimas séries do ensino Fundamental e ensino médio. Seu objetivo se baseia no desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos, habilidades e a formação de atitudes e valores e o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
A escola também trabalha o desenvolvimento da autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito, compreensão dos direitos e deveres de cidadão, sensibilidade, criatividade, diversidade de manifestações artísticas, culturais e estéticas; interação de ação participativa coma comunidade; espírito critico,
O Ensino Médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, tem como finalidade a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
O aprimoramento do aluno como pessoa humana incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico é também uma das principais preocupações da escola.
Há a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos, dos processos de atualização e assimilação de idéias e conhecimentos, como também de produção, experimentação e aprendizagem de novas técnicas definidos dentro dos parâmetros autênticos culturais, por isso também desenvolvem no aluno valores como sensibilidade artística, cultural e musical;
O ensino médio tem um importante papel a desempenhar. Sua expansão pode ser um poderoso fator de formação para a cidadania e de qualificação profissional. Pequenos incrementos anuais terão efeito cumulativo. Ao final de alguns anos, resultarão em uma mudança nunca antes observada na composição social, econômica, cultural e etária do alunado do ensino médio.
Se o fluxo escolar fosse regular, o ensino médio teria muito mais aluno, mas tem bem menos que metade de jovens desta faixa etária. É muito pouco, mas elevadas taxas de repetência no ensino fundamental levam os jovens a chegarem ao ensino médio bem mais velhos. Há também um grande número de adultos que volta a escola vários anos depois de concluir o ensino fundamental.
ENSINO MÉDIO PROFISSIONALIZANTE
Em virtude dessas situações, o ensino médio atende majoritariamente jovens e adultos com idade acima da prevista para este nível de ensino. O numero reduzido de matrículas no ensino - apenas cerca de 30,8% da população de 15 a 17 anos não se explica, entretanto, a oferta de vagas na 1ª série do ensino médio tem sido superior ao número de egressos da 8ª série do ensino fundamental. O ensino médio convive, também, com alta seletividade interna. Se os alunos estão chegando em maior número a esse nível de ensino, os índices de conclusão sinalizam que há muito a ser feito: 74% dos que iniciam o ensino médio conseguem conclui -Io. A exclusão ao ensino médio deve-se a causas econômicas, sociais e pedagógicas. Causas externas ao sistema educacional contribuem para que adolescentes e jovens se percam pelos caminhos da escolarização, agravadas por dificuldades da própria organização da escola e do processo ensino - aprendizagem.
Existe a intenção de ampliação desse nível de ensino na escola que hoje conta com o curso de magistério de 1º grau e um projeto de especialização em educação pré-escolar: uma educação que propicia aprendizagem de competências de caráter geral, formando pessoas aptas a lecionar nas series iniciais.
O aumento lento, mas contínuo, do número dos que conseguem concluir a escola obrigatória, associado a tendência para a diminuição da idade dos concluintes vai permitir que um crescente número de jovens ambicione uma carreira educacional mais longa. Assim, a demanda pelo ensino médio vai compor-se, também, de segmentos já inseridos no mercado de trabalho, que aspirem melhoria social e salarial e precisem dominar habilidades que permitem assimilar e utilizar, produtivamente, recursos tecnológicos novos e em acelerada transformação.
A implementação do currículo favorece as atividades interdisciplinares e o estudo de temas transversais, de modo a relacionar conteúdos da aprendizagem com a formação de valores sociais e éticos.também prepara o aluno para o trabalho
O planejamento tem caráter flexível, tendo o professor liberdade em seu desenvolvimento de modo a assegurar a devida unidade do processo de ensino e aprendizagem prática e sua preparação considera a experiência de vida e de trabalho dos alunos.
OPORTUNIDADES DE INCLUSÃO
Uma das modalidades da educação básica oferecida pela escola é a educação de Jovens e Adultos (EJA), que se destina àqueles que desejam retomar os estudos, no ensino fundamental ou médio, numa estratégia diferenciada. A matrícula nos cursos de EJA é opção do candidato com idade mínima de 15 e 18 anos, respectivamente, nos ensinos fundamental e médio. A idade mínima para conclusão de estudos da EJA, através de exames de massa, é de 15 e 18 anos, respectivamente, para os ensinos fundamental e médio.
Além disso a escola oferece oportunidade às crianças que apresentem dificuldades de aprendizagem um programa de assistência especializada, em tempo integral na escola, com vistas a integrá-las no ensino regular comum.
ESTRUTURA ADMINISTRATIVA
A organização administrativa fundamenta-se no princípio da gestão democrática facilitada pela atuação do Colegiado, que tem funções de caráter consultivo e deliberativo e representa a comunidade escolar nos assuntos referentes à gestão pedagógica, administrativa e financeira:
Ações que visem a melhoria da educação, sobretudo aquelas que considerem os resultados das avaliações internas e externas e de pesquisas educacionais são analisadas conjuntamente: Direção, colegiado, corpo docente e comunidade escolar em reuniões.
A Secretaria executa e controla o serviço burocrático e administrativo da escola.
O Especialista de Educação articula o trabalho pedagógico da Escola, coordenando e integrando o trabalho do corpo docente, discente e de seus familiares em torno de um eixo comum; o ensino-aprendizagem pela qual perpassam as questões do professor, do aluno e da família, articulando o envolvimento da família no processo educativo, identificando, junto com os professores, as dificuldades de aprendizagem dos alunos; orientando os professores sobre as estratégias mediante as quais as dificuldades identificadas possam ser trabalhadas em nível pedagógico; encaminhando a instituições especializadas os alunos com dificuldades que requeiram um atendimento especializado; além de promover, com a ajuda dos professores o levantamento das características sócio-econômicos e culturais do aluno e sua família, analisando com a família os resultados do aproveitamento do aluno, orientando-o se necessário para obtenção de melhores resultados e oferecendo apoio ao aluno.
A escola oferece uma biblioteca e uma sala de informática com 10 computadores ligados a internet que atende a professores e alunos, facilitando-lhes informações necessárias às pesquisas e trabalhos, ajudar e estimular os alunos na formação de hábitos de leitura e na correção de atividades, face aos problemas da busca de conhecimentos.
O pessoal do serviço geral é necessário ao bom andamento e funcionamento no processo educativo, cabendo. Além de zelar pela escola, realizam trabalhos de limpeza e de conservação dos móveis, utensílios e equipamentos; preparam e distribuem merenda escolar zelando pela boa ordem e higiene da escola.
O serviço da Biblioteca tem por finalidade atender aos professores e alunos facilitando -Ihes informações necessárias às pesquisas e trabalhos, ajudar e estimular os alunos na forma de hábitos de leitura e na correção de atividades, face aos problemas da busca de conhecimento, proporcionando condições para o desenvolvimento de habilidades e pesquisas, proporcionando um ambiente atrativo para a formação de hábitos e gosto pela leitura.
O Conselho de Classe tem por objetivo servir de fórum de discussão para definição de objetivos a serem alcançados em cada disciplina, do ano de escolaridade do CicIo; uso de metodologias e estratégias de ensino; critérios de seleção de conteúdos curriculares; projetos coletivos de ensino e atividades; normas de acompanhamento dos alunos em seus percursos nos ciclos; critérios para apreciação do desempenho dos alunos ao longo e ao final dos ciclos; elaborando fichas de registro para informação aos pais; normas de relacionamento com a família; adaptações curriculares para os alunos portadores de necessidades educativas especiais. O Conselho de Classe será constituído pelo pessoal Docente e Técnico Pedagógico a qual compete manter a unidade de atuação necessária ao seu funcionamento. Sempre que julgar necessário, o Conselho de Classe, poderá convidar pais de alunos para suas reuniões e o que for tratado em reuniões deverá ser esclarecidos e resguardados os assuntos discutidos entre os participantes.
O Colegiado Escolar tem funções de caráter deliberativo e consultivo nos assuntos referentes a gestão pedagógica, administrativa e financeira. Além de participarem da elaboração, implementação e avaliação da Proposta Política Pedagógica da Escola; acompanhar o processo de composição do Quadro de Pessoal da escola; acompanhar e aprovar a aplicação dos recursos orçamentários e financeiros da escola; participar dos processos de avaliação da escola, de forma articulada com Sistema de Avaliação da Educação Pública.
Esta escola mantém laboratórios de ciências para desenvolver metodologias diversificadas que propiciem a reconstrução do conhecimento, mobilize o raciocínio, a experiência, a solução de problemas e outras competências cognitivas e afetivas e fornece condições de atendimento da tecnologia como instrumento de articulação com a vida pessoal, social e no trabalho favorecendo condições de aquisição de conhecimentos físicos, químicos e biológicos.
O ALUNO
Nossa escola pretende formar o aluno nos aspectos moral, social, intelectual e religioso, proporcionando a formação integral tendo como referência seus interesses e necessidades, e complementando a educação recebida no lar, formando um espírito ativo, crítico e reflexivo
Os alunos que freqüentam nossa escola nos 3 turnos são moradores da zona urbana e rural de nossa cidade. No turno matutino há uma predominância de alunos provenientes da zona rural que são trazidos pelo transporte escolar de várias regiões da cidade. No turno vespertino se concentra mais alunos da zona urbana e de classe social média. No turno noturno a predominância é de alunos maiores de idade que já atuam no mercado de trabalho.
Na sua maioria, participam das atividades escolares, sociais, cívicas e recreativas, destinadas à sua formação promovidas pelo estabelecimento e são tratados com respeito, atenção e urbanidade, por todos os funcionários do estabelecimento. São alunos que freqüentam assiduamente as aulas e demais atividades escolares, respeitam regras e pessoas com docilidade, contribuindo assim para a elaboração moral do nome do estabelecimento e promovendo seu prestigio.
Conservam hábito de bons costumes como respeito, honestidade. Desempenham a contento as atividades escolares que são solicitadas. Recebem material didático de uso individual e necessário da escola.
A cidade não é violenta e o índice de criminalidade é pequeno, mas ainda assim a escola oferece segurança para o aluno, além do uso do uniforme, que é estimulado junto aos alunos e suas famílias, oferecendo identificação (outra forma de segurança e vigília), tranqüilizando assim suas famílias.
O regime Disciplinar da escola, baseado no princípio de liberdade com responsabilidade, tem o objetivo de conscientizar a comunidade escolar da importância de sua participação na consecução dos objetivos da Escola e os incentiva a participar do processo educacional, sensibilizando a família e a comunidade, tornando-as colaboradoras na tarefa de educar; garantir a perfeita observância da ordem na Escola, evitando sanções e punições.
A organização das classes se fundamenta em critérios que garantam o atendimento aos alunos no processo de aprendizagem oferecendo um ensino de qualidade, que terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; fortalecimento dos vínculos de família, de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social; capacitar o educando, através de suas atividades, a adquirir e a desenvolver os conhecimentos atualizados que lhe permita interagir no mundo que o cerca e o desenvolvimento das atividades pedagógicas integradas, contínuas e progressivas, que atendam as suas características bio-psico-social.
O PROFESSOR - PRÁTICA PROFISSIONAL E ÉTICA
Ao professor é oferecido uma sustentação para que exerça seu mandato de forma satisfatória, que liga, articula, organiza, valoriza e atribui significação à sua prática educacional. O sucesso está na dependência da atuação de professores, pais e pessoas que estejam aptos a dar continência às necessidades específicas de cada um, o que nem sempre é possível, mas abre portas para discussão sobre a necessidade de gerar recursos que garantam a participação coletiva.
Exercendo sua função de educador nossos professores se preocupam com a formação moral, religiosa e cívica o que contribui para a formação integral dos alunos. O clima entre eles é favorável ao desenvolvimento do processo educacional e espírito de cooperação. Eles mantém intercâmbio com a família do aluno visando sua participação nas atividades de capacitação da escola. Ao analisar os resultados obtidos com as atividades dos alunos, procuram tomar medidas recuperadoras que usam estratégias mediante as quais as dificuldades identificadas possam ser trabalhadas, em nível pedagógico, utilizando assim, os resultados da avaliação como diretriz para as diversas atividades e replanejamento do trabalho escolar.
Ao professor, é oferecido uma rede de sustentação social que o integra à uma rede de apoio, que liga, articula, organiza, e o valoriza, além de atribuir significação à sua prática educacional. Rede de apoio e inserção comunitária, demanda uma mudança na maneira de pensar e de produzir conhecimento e uma disponibilidade para adotar novos paradigmas educacionais, que vêem o sujeito do conhecimento, como um articulador das relações e ainda se põe como responsável pelo caminho que toma na formação da rede de apoio. Para isto é preciso refletir com as redes comprometidas com o aprender: qual a queixa, trazida pelo aluno e por sua família? Como se dá seu aprendizado? Qual a história de vida do sujeito e da família? Como reagem às necessidades e frustrações?
DlRETRIZES CURRICULARES
A atualidade do currículo, valorização um paradigma curricular que possibilite a interdisciplinaridade, abre novas perspectivas no desenvolvimento de habilidades para dominar esse novo mundo que se desenha. As novas concepções pedagógicas, embasadas na ciência da educação, sinalizaram a reforma curricular expressa nos Parâmetros Curriculares Nacionais, que surgiram como importante proposta e eficiente orientação para os professores.
Os temas estão vinculados ao cotidiano da maioria da população. Além do currículo composto pelas disciplinas tradicionais, propõem a inserção de temas transversais como ética, meio ambiente, pluralidade cultural, trabalho e consumo, entre outros. Deve-se assegurar a melhoria da infra - estrutura física das escolas, generalizando inclusive as condições para a utilização das tecnologias educacionais em multimídia, contemplando-se desde a construção física, com adaptações adequadas a portadores de necessidades especiais, até os espaços especializados de atividades artístico - culturais, esportivas, recreativas e a adequação de equipamentos.
ESPAÇO FÍSICO
O espaço é bem iluminado, ventilação, água potável, possui rede elétrica bem feita, oferece segurança. As instalações sanitárias são higiênicas. Os espaços para esporte, recreação, biblioteca e serviço de merenda escolar são adaptados corretamente, inclusive para atendimento das pessoas portadoras de necessidades especiais. O mobiliário é adequado em numero suficiente. Sala de informática ligada a internet via Embratel. Equipamento multimídia para o ensino em bom estado. O transporte escolar as zonas rurais é oferecido pelo Município, de forma a garantir a escolarização dos alunos da zona rural.
OPORTUNIDADE DE RECUPERAÇÃO
Os alunos que não obtiverem êxito na avaliação deverão ser recuperados pelo professor. A recuperação é contínua e se dá de forma concomitante ao processo de ensino-aprendizagem. O professor ao detectar alguma dificuldade no desempenho do aluno em relação aos objetivos propostos, fará uma revisão dos procedimentos, recursos, conteúdos e objetivos da unidade de aprendizagem com vistas ao progresso satisfatório de todos os alunos. Ao revisar e fixar a aprendizagem o professor deverá diversificar os procedimento e recursos didáticos, a fim de que todos os alunos adquiram condições de prosseguirem os estudos.
Professores e alunos apresentam boas relações, demonstram ter consideração para com o outro, atitudes prestativas e de interesse humanitário, desenvolvendo dessa forma uma relação e um ambiente positivo na escola. Os alunos estão sendo preparados para serem alunos críticos em relação à sua aprendizagem, em relação aos colegas e educadores e este é um fator importante para o seu crescimento enquanto cidadão. O ambiente de trabalho desenvolve a auto-estima, criando capacidade para aceitar idéias e desafios com flexibilidade às mudanças.
A relação entre funcionários e direção de nossa escola baseia-se no diálogo recíproco, caracterizado por ações concretas e estímulos que os levem a resolver problemas em conjunto, tomar decisões, harmonizar conflitos, solicitando ajuda e pedindo opiniões para que possam, em conjunto, buscar o melhor caminho para a transformação e a construção de um ambiente escolar ideal.
A escola utiliza o Boletim escolar para informar os pais ou responsáveis pelos alunos, sua freqüência e desempenho periodicamente.
AVALIAÇÃO
A avaliação tem pôr finalidade verificar o desempenho do aluno e aperfeiçoar o processo ensino aprendizagem em um processo contínuo do qual devem participar professores, especialistas e alunos. Predominando os aspectos qualitativos da aprendizagem sobre os quantitativos. Na apreciação dos aspectos qualitativos são levados em conta a compreensão dos fatos, a percepção das relações, a aplicação do conhecimento, a capacidade de análise e síntese além de outras habilidades.
A escola tem seus princípios e seus ideais voltados para a qualidade do ensino. É uma escola dinâmica, criativa, sintonizada no tempo e espaço, atendendo a toda comunidade em que está inserida. Seus servidores demonstram inquietações e anseios no que diz respeito a realidade social em que está inserida a escola na busca de educar para a vida, com qualidade, tornando-se um elo primordial para o sucesso do aluno.
A escola esta empenhada em proporcionar a formação de um cidadão participativo, crítico, coerente, por isso criou-se um compromisso envolvendo a comunidade escolar para esse compromisso coletivo se tornar eficaz.
INTERAÇÃO FAMILIAR, SOCIAL E EDUCACIONAL.
A grande maioria dos que ingressam na escola pública ainda não se apropriou de determinados signos utilizados nesse espaço. Esta realidade normalmente é entendida pelos professores como uma incompetência individual. Os profissionais da educação precisam ampliar sua compreensão do fato através de interações sociais que já foram propiciadas ao aluno. A escola deve proporcionar interações diferenciadas para alunos em diferentes níveis de desenvolvimento, objetivando que todas tenham acesso aos elementos fundamentais para o desenvolvimento.
Os pais, incluídos no processo, deixam de ser espectadores e passam a ser parceiros nas busca de soluções. Delimitar funções, responsabilidades, contar com o apoio de um sistema mais amplo e sobretudo, ter a quem recorrer, são algumas possibilidades do trabalho dar certo na escola. Todos ganham, por isso a educação deve estar vinculada com a humanização.
A sociedade percebe que seu papel não é restrito a achar esta luta bonita, mas participa para que ela realmente ocorra. Acessibilidade, interação, respeito e oportunidade de trabalho digno são fundamentais.
POLÍTICAS DA EDUCAÇÃO
Onde está o público alvo? Não importa de qual grupo estamos falando: negros, pobres, gordos, homossexuais, crianças, idosos, mulheres, portadores de incapacidades e deficiências físicas e mentais, a população desfavorecida economicamente ou alvo de estigmas sociais de toda ordem. Existem fatores que facilitam a inclusão na educação, alguns deles indispensáveis, que visem provisões para o bem-estar geral. Isso significa um sistema de instituições públicas protegidas por lei, supervisionadas pela política, que garanta: igualdade de todos aos serviços sociais, incluindo prevenção, tratamento, assistência, reabilitação; educação obrigatória pelo menos até os 18 anos, dirigida para o potencial do indivíduo. Além dessas provisões gerais, há necessidade de políticas públicas e instrumentos políticos para investimentos em infra-estrutura, como transporte, telecomunicações, mídia e cultura, com acesso igual para todos.
Tendo em vista os altos índices de evasão, repetência e dependência há também necessidade de reestruturação nas metodologias visando melhorar o desempenho de nossos alunos através de um trabalho interdisciplinar cooperativo.
CONCLUSÃO
A escola divulga amplamente os dados relativos a indicadores e estatísticas do desempenho escolar dos alunos e resultados obtidos pela escola nas avaliações externas assim como as medidas, projetos, propostas e ações desenvolvidas e previstas pela escola para melhorar sua atuação.
Considera-se o número de alunos matriculados por fase, ciclo ou série e o resultado do desempenho de acordo com a modalidade de ensino para se adotar medidas no sentido de melhorar o processo pedagógico e garantir o sucesso escolar evitando a evasão escolar.
A missão desta Escola é um centro de direitos e deveres, onde se recebe formação. É uma Escola voltada para a solidariedade, a cooperação, a ajuda mútua, a liberdade com responsabilidade, formação de atitudes, enfim um olhar para a socialização do saber, buscando os ideais de uma escola futurista.
Em busca de uma educação de qualidade para todos tentamos colocar em pratica o exercício da cidadania no cotidiano de nosso meio educacional abrindo discussões sobre a igualdade de direitos, a dignidade do ser humano, a recusa de qualquer forma de discriminação, a importância da solidariedade e do respeito, revendo o papel da escola e sugerindo novas metodologias para desenvolver em nossos alunos capacidades cognitiva, física, afetiva e de relações interpessoal, estética, ética e de inserção social.
Isso demanda uma disponibilidade para adotar novos paradigmas educacionais, que nos coloca como responsáveis pelo caminho que tomamos na formação do apoio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• XX Congresso Nacional das APAEs, I fórum: Passaporte para a cidadania (pp. 247-270). Brasília: Federação nacional das Apaes, 2001
• AZEVEDO, Janete M. Lins de. A educação como política pública: polêmicas do nosso tempo. São Paulo: Autores Associados,1997.
• BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9.394 de 20 de dezembro de 1996.
• CEDINE
• GENTILI, P. (org.). Pedagogia da Exclusão - crítica ao neoliberalismo em educação. 7.ed.Petrópolis: Vozes, 1998.
• GOULART, Iris B. Políticas Públicas de Qualidade: o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE). In: Minas Gerais. Escola Pública de qualidade: O Plano de Desenvolvimento da Escola. Belo Horizonte, 1998.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
ATIVIDADE COMPLEMENTAR DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
ATIVIDADE COMPLEMENTAR DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
Como aluna do curso de formação especial docente que procura se habilitar em Sociologia escolhi escolher duas das práticas pedagógicas estudadas, me aprofundando sobre o conteúdo e resolvi desenvolver um “projeto” de “pesquisa” na Escola Estadual “Dr. Adalmário José dos Santos” onde leciono no 2º grau e EJA em Lajinha MG.
Considerando que a sociologia ( materia que leciono) tem como objetivo o estudo social, a forma como o homem vive em grupo, as relações que estabelecem e suas conseqüências planejei, junto com os alunos, o levantamento de problemas sociais mais evidenciados e/ou mais importantes no processo de integração, adaptação social. (considerados assim por eles).
Inicialmente fizemos uma explanação sobre o que é pesquisa e como ela deve ser feita. Estabelecemos a importância de reconhecer que o questionamento é a chave da elaboração, desenvolvimento e conclusão da pesquisa.
Assim vimos que a pesquisa é um instrumento importante para compreender e explicar os fenômenos sociais: A diversidade de enfoques permite concluir que um fenômeno social não tem apenas uma explicação. Esse processo crítico sistemático devera nortear todo o trabalho a fim de reconstruir nossa visão das normas e regras sociais criadas pelo individuo para melhor se organizar na sua vida em sociedade.
Surgiu também a idéia de identificar valores e princípios estabelecidos que constituem um sistema padronizado que define o comportamento próprio das pessoas que são aceitos pela sociedade e definir quais são são naturais do ser humano, quais são adquiridos tradicionalmente e quais surgem como consequencia da evolução (tecnologica, científica, social, ambiental...) do mundo atual.
NORMAS SOCIAIS
Escola Estadual “Dr. Adalmário José dos Santos”
Pesquisa de campo feita pelos alunos do 2º ano do 2ºgrau.
Orientadora – Maria Ângela Afonso Pereira
Disciplina – Sociologia
A pesquisa é o componente e um instrumento mais importante para a compreensão e explicação dos fenômenos sociais. A diversidade de enfoques permite concluir que um fenômeno social não tem apenas uma explicação. A pesquisa deve articular conceito, teorias, contexto histórico, influências externas, religião... É preciso entender uma pesquisa sociológica, os padrões de procedimentos que devem ser usados, cuidados, passos, procedimentos e objetivos, para que o resultado leve ao entendimento do fenômeno a ser observado.
JUSTIFICATIVA –
• O principio que fundamenta o trabalho de pesquisa é de que a mobilização, a integração e a pesquisa completam o conhecimento teórico formando uma compreensão real de situações variadas do comportamento social em nossa cidade.
• Um dos objetivos da sociologia é o estudo da forma pela qual o homem vive em grupo, das relações que estabelecem e das conseqüências dessas relações. O comportamento social sofre influências na forma pela qual se organiza que são produzidos a partir das necessidades imediatas da vida, interferindo na direção da sociedade no nível econômico, político e social influenciando a vida dos indivíduos, chegando a interferir em outros processos do desenvolvimento humano como nos processos fisiológicos, filosóficos e até psicológicos. Para se adaptar a estas influências os indivíduos organizam sua vida formando instituições sociais com função, finalidade, objetivo, estrutura, regras, formam um conjunto de valores e princípios estabelecidos tradicionalmente e criam uma série de hábitos, comportamentos, maneiras de agir e pensar, constituindo um sistema padronizado que define o comportamento próprio das pessoas. Tudo isso se manifesta de forma diferente entre povos e momentos.
OBJETIVOS
• Realizar um trabalho integrado à comunidade que proporcione a análise crítica e o conhecimento de variados comportamentos sociais próximos de nossa realidade.
• Visa uma maior produtividade e eficiência de conhecimento das orientações sobre as instituições sociais mais importantes, objeto de estudo para a série.
DESENVOLVIMENTO-
• A pesquisa de campo será feita a partir da análise de comportamentos em diferentes grupos, lugares e horarios e deverá ser personalizado, demonstrando uma atuação criativa.
• O trabalho deverá ser claro e objetivo de modo que facilite a captação da experiência vivida, do conhecimento adquirido e a conclusão da pesquisa de forma que enriqueça o conhecimento da turma e será avaliado em forma de:
Relatório, onde conste justificativa, objetivos, os esforços desprendidos, o desenvolvimento do trabalho, o campo de pesquisa, conclusão, participações e será arquivado pelo professor. Será avaliado também o esforço desprendido, a completitude, capacidade de sintese, o enriquecimento e a apresentação.
Exposição em sala de aula.
- O relatório não poderá conter termos amorais, agressivos, discriminatórios ou ofensivos a pessoas ou instituições. Os colegas de sala deverão receber uma síntese da pesquisa.
- A apresentação pode ser enriquecida com músicas, filmes, fotos...
TEMA
NORMAS SOCIAIS
O projeto consiste em desenvolver uma pesquisa sobre as normas sociais:
-Manutenção das tradições, costumes, dogmas religiosos, crenças, manias, etiquetas, gafes, rituais, comportamento ideal para a igreja, para as familias, valores, influências, manipulação da mídia, regras, responsabilidades, punições, variedade, formas, vícios...
-Devios de comportamento – causas, motivação das transgressões, criminalidade, marginalização, vandalismo, violência, dificuldades e facilidades.
- Repressões familiares e sociais, direitos, deveres, responsabilidades, atuação e participação e acompanhamento de instituições sociais como igreja, familoia, escola, Estado: serviços de prevenção, projetos de assistência e atendimento, dificuldades...
- Proporção e integração social,
CONCLUSÂO
Consolidamos o processo descrito desde a preparação para a pesquisa até a exposição,e ao final concluimos que:
-Todo comportamento existe por vontade dos homens.
-Não serão modificadas por simples ação da natureza,mas pelos homens em sua ação e interação social.
-As normas sofrem influências na forma pela qual a sociedade se organizam
-São produzidos a partir das necessidades imediatas da vida, interferindo na direção da sociedade no nível econômico, político e social.
SINTESE
A apresentação da pesquisa foi apresentada de forma expositiva, fizemos também um pequeno seminário, estudo dirigido, dramatização, debate, recebemos visitas, e a conclusão foi feita num relatório final (em anexo), etc.
Antes da pesquisa exploratória, fizemos um esboço, um projeto para se conscientizar daquilo que queremos pesquisar. Planejamos o tempo necessário à pesquisa em livros, revistas, jornais, internet, pesquisa de campo, entrevistas, para ir construindo o tema que engloba conceituação, definição de objetivos, discutição, procedimentos ou metodologia, desenvolvimento e conclusão para que a pesquisa não apresentasse apenas uma versão e ficasse viciada.
ANEXO
NORMAS SOCIAIS
Qualquer relação interpessoal exige muita dedicação e respeito. Relacionamos comportamentos sociais que devem ser observado para boas relações sociais, respeito mutuo e aceitação social:
- Use sempre as palavrinhas mágicas: por favor, muito obrigada, com licença, cumprimente e despeça com gentileza...
- Seja receptivo e procure entender os outros.
- Organize seu tempo, mantenha sua agenda organizada e seja pontual.
- Deixe que os outros falem, não os interrompam e ouça atentamente.
- Tenha higiene corporal para evitar odores desagradáveis, arrotos, flatulências, cuspidas, coceiras...
- Use o celular em maneira, lugar e hora adequada.
- Evite discussão em público, violência física ou verbal, fuja de fofocas, encrencas, barracos.
- Tenha uma postura elegante: sente-se sem muito despojamento, não masque chiclete.
- Evite o uso de drogas cigarro e excesso de álcool para não se tornar inconveniente.
- Planeje sua vida financeira e viva dentro do seu orçamento. Compre só o que é possível e necessário e honre suas dívidas.
- Evite pegar emprestado e se o fizer, cuide, entregue rapidamente e agradeça.
- Não pegue objetos que não lhe pertencem. Se acharem algum, procure o dono ou deixe num local próprio e de confiança.
- Não participe nem aceite a corrupção.
- Procure alimentar-se de maneira saudável, mastigue com boca fechada e evite excessos.
- Tenha uma religião e siga sua fé e respeite a dos outros.
- Olhe nos olhos das pessoas enquanto conversa.
- Chame as pessoas pelo nome, evite apelidos.
- Não faça fofocas, espalhe boatos, seja cínico ou debochado.
- Fale pouco, baixo, pausadamente e firme, mas com simpatia. Evite palavrões.
- Não exponha sua vida pessoal nem traia a confiança repassando informações pessoais.
- Respeite autoridades, mais velhos, as pessoas, animais, lugares e coisas de modo geral.
- Seja discreto e não fale do que não lhe diz respeito.
- Vista-se com urbanidade.
- Tenha postura moral: Pratique a paciência, simplicidade, humildade, seja justo, flexível, evite o preconceito e a discriminação...
- Faça pequenos favores para todos.
- Seja sincero, evite jogar indiretas, não minta, não engane.
- Seja solidário. Seja presente nas alegrias e tristezas. Manifeste as pessoas carinho e amor.
- Seja um motorista gentil. Não brigue no transito.
- Seja gentil ao discordar.
- Respeite e preserve o seu planeta
- Respeite a sinalização, regras, pessoas, costumes, não fure filas, evite vandalismo e depredação...
- Aja com diplomacia, seja cortes, simpático e educado, mas não um bajulador.
- Manda cartões, emails de aniversario, casamento, formatura, morte, pedido de desculpa pelo o atraso ou falta.
- Se for convidado, agradeça e compareça ou justifique antecipadamente.
- Conserve a higiene dos lugares: banheiros, sala de aula, rua...
- Evite excesso de gesticulação, apontar o dedo, olhar relógio...
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
Como aluna do curso de formação especial docente que procura se habilitar em Sociologia escolhi escolher duas das práticas pedagógicas estudadas, me aprofundando sobre o conteúdo e resolvi desenvolver um “projeto” de “pesquisa” na Escola Estadual “Dr. Adalmário José dos Santos” onde leciono no 2º grau e EJA em Lajinha MG.
Considerando que a sociologia ( materia que leciono) tem como objetivo o estudo social, a forma como o homem vive em grupo, as relações que estabelecem e suas conseqüências planejei, junto com os alunos, o levantamento de problemas sociais mais evidenciados e/ou mais importantes no processo de integração, adaptação social. (considerados assim por eles).
Inicialmente fizemos uma explanação sobre o que é pesquisa e como ela deve ser feita. Estabelecemos a importância de reconhecer que o questionamento é a chave da elaboração, desenvolvimento e conclusão da pesquisa.
Assim vimos que a pesquisa é um instrumento importante para compreender e explicar os fenômenos sociais: A diversidade de enfoques permite concluir que um fenômeno social não tem apenas uma explicação. Esse processo crítico sistemático devera nortear todo o trabalho a fim de reconstruir nossa visão das normas e regras sociais criadas pelo individuo para melhor se organizar na sua vida em sociedade.
Surgiu também a idéia de identificar valores e princípios estabelecidos que constituem um sistema padronizado que define o comportamento próprio das pessoas que são aceitos pela sociedade e definir quais são são naturais do ser humano, quais são adquiridos tradicionalmente e quais surgem como consequencia da evolução (tecnologica, científica, social, ambiental...) do mundo atual.
NORMAS SOCIAIS
Escola Estadual “Dr. Adalmário José dos Santos”
Pesquisa de campo feita pelos alunos do 2º ano do 2ºgrau.
Orientadora – Maria Ângela Afonso Pereira
Disciplina – Sociologia
A pesquisa é o componente e um instrumento mais importante para a compreensão e explicação dos fenômenos sociais. A diversidade de enfoques permite concluir que um fenômeno social não tem apenas uma explicação. A pesquisa deve articular conceito, teorias, contexto histórico, influências externas, religião... É preciso entender uma pesquisa sociológica, os padrões de procedimentos que devem ser usados, cuidados, passos, procedimentos e objetivos, para que o resultado leve ao entendimento do fenômeno a ser observado.
JUSTIFICATIVA –
• O principio que fundamenta o trabalho de pesquisa é de que a mobilização, a integração e a pesquisa completam o conhecimento teórico formando uma compreensão real de situações variadas do comportamento social em nossa cidade.
• Um dos objetivos da sociologia é o estudo da forma pela qual o homem vive em grupo, das relações que estabelecem e das conseqüências dessas relações. O comportamento social sofre influências na forma pela qual se organiza que são produzidos a partir das necessidades imediatas da vida, interferindo na direção da sociedade no nível econômico, político e social influenciando a vida dos indivíduos, chegando a interferir em outros processos do desenvolvimento humano como nos processos fisiológicos, filosóficos e até psicológicos. Para se adaptar a estas influências os indivíduos organizam sua vida formando instituições sociais com função, finalidade, objetivo, estrutura, regras, formam um conjunto de valores e princípios estabelecidos tradicionalmente e criam uma série de hábitos, comportamentos, maneiras de agir e pensar, constituindo um sistema padronizado que define o comportamento próprio das pessoas. Tudo isso se manifesta de forma diferente entre povos e momentos.
OBJETIVOS
• Realizar um trabalho integrado à comunidade que proporcione a análise crítica e o conhecimento de variados comportamentos sociais próximos de nossa realidade.
• Visa uma maior produtividade e eficiência de conhecimento das orientações sobre as instituições sociais mais importantes, objeto de estudo para a série.
DESENVOLVIMENTO-
• A pesquisa de campo será feita a partir da análise de comportamentos em diferentes grupos, lugares e horarios e deverá ser personalizado, demonstrando uma atuação criativa.
• O trabalho deverá ser claro e objetivo de modo que facilite a captação da experiência vivida, do conhecimento adquirido e a conclusão da pesquisa de forma que enriqueça o conhecimento da turma e será avaliado em forma de:
Relatório, onde conste justificativa, objetivos, os esforços desprendidos, o desenvolvimento do trabalho, o campo de pesquisa, conclusão, participações e será arquivado pelo professor. Será avaliado também o esforço desprendido, a completitude, capacidade de sintese, o enriquecimento e a apresentação.
Exposição em sala de aula.
- O relatório não poderá conter termos amorais, agressivos, discriminatórios ou ofensivos a pessoas ou instituições. Os colegas de sala deverão receber uma síntese da pesquisa.
- A apresentação pode ser enriquecida com músicas, filmes, fotos...
TEMA
NORMAS SOCIAIS
O projeto consiste em desenvolver uma pesquisa sobre as normas sociais:
-Manutenção das tradições, costumes, dogmas religiosos, crenças, manias, etiquetas, gafes, rituais, comportamento ideal para a igreja, para as familias, valores, influências, manipulação da mídia, regras, responsabilidades, punições, variedade, formas, vícios...
-Devios de comportamento – causas, motivação das transgressões, criminalidade, marginalização, vandalismo, violência, dificuldades e facilidades.
- Repressões familiares e sociais, direitos, deveres, responsabilidades, atuação e participação e acompanhamento de instituições sociais como igreja, familoia, escola, Estado: serviços de prevenção, projetos de assistência e atendimento, dificuldades...
- Proporção e integração social,
CONCLUSÂO
Consolidamos o processo descrito desde a preparação para a pesquisa até a exposição,e ao final concluimos que:
-Todo comportamento existe por vontade dos homens.
-Não serão modificadas por simples ação da natureza,mas pelos homens em sua ação e interação social.
-As normas sofrem influências na forma pela qual a sociedade se organizam
-São produzidos a partir das necessidades imediatas da vida, interferindo na direção da sociedade no nível econômico, político e social.
SINTESE
A apresentação da pesquisa foi apresentada de forma expositiva, fizemos também um pequeno seminário, estudo dirigido, dramatização, debate, recebemos visitas, e a conclusão foi feita num relatório final (em anexo), etc.
Antes da pesquisa exploratória, fizemos um esboço, um projeto para se conscientizar daquilo que queremos pesquisar. Planejamos o tempo necessário à pesquisa em livros, revistas, jornais, internet, pesquisa de campo, entrevistas, para ir construindo o tema que engloba conceituação, definição de objetivos, discutição, procedimentos ou metodologia, desenvolvimento e conclusão para que a pesquisa não apresentasse apenas uma versão e ficasse viciada.
ANEXO
NORMAS SOCIAIS
Qualquer relação interpessoal exige muita dedicação e respeito. Relacionamos comportamentos sociais que devem ser observado para boas relações sociais, respeito mutuo e aceitação social:
- Use sempre as palavrinhas mágicas: por favor, muito obrigada, com licença, cumprimente e despeça com gentileza...
- Seja receptivo e procure entender os outros.
- Organize seu tempo, mantenha sua agenda organizada e seja pontual.
- Deixe que os outros falem, não os interrompam e ouça atentamente.
- Tenha higiene corporal para evitar odores desagradáveis, arrotos, flatulências, cuspidas, coceiras...
- Use o celular em maneira, lugar e hora adequada.
- Evite discussão em público, violência física ou verbal, fuja de fofocas, encrencas, barracos.
- Tenha uma postura elegante: sente-se sem muito despojamento, não masque chiclete.
- Evite o uso de drogas cigarro e excesso de álcool para não se tornar inconveniente.
- Planeje sua vida financeira e viva dentro do seu orçamento. Compre só o que é possível e necessário e honre suas dívidas.
- Evite pegar emprestado e se o fizer, cuide, entregue rapidamente e agradeça.
- Não pegue objetos que não lhe pertencem. Se acharem algum, procure o dono ou deixe num local próprio e de confiança.
- Não participe nem aceite a corrupção.
- Procure alimentar-se de maneira saudável, mastigue com boca fechada e evite excessos.
- Tenha uma religião e siga sua fé e respeite a dos outros.
- Olhe nos olhos das pessoas enquanto conversa.
- Chame as pessoas pelo nome, evite apelidos.
- Não faça fofocas, espalhe boatos, seja cínico ou debochado.
- Fale pouco, baixo, pausadamente e firme, mas com simpatia. Evite palavrões.
- Não exponha sua vida pessoal nem traia a confiança repassando informações pessoais.
- Respeite autoridades, mais velhos, as pessoas, animais, lugares e coisas de modo geral.
- Seja discreto e não fale do que não lhe diz respeito.
- Vista-se com urbanidade.
- Tenha postura moral: Pratique a paciência, simplicidade, humildade, seja justo, flexível, evite o preconceito e a discriminação...
- Faça pequenos favores para todos.
- Seja sincero, evite jogar indiretas, não minta, não engane.
- Seja solidário. Seja presente nas alegrias e tristezas. Manifeste as pessoas carinho e amor.
- Seja um motorista gentil. Não brigue no transito.
- Seja gentil ao discordar.
- Respeite e preserve o seu planeta
- Respeite a sinalização, regras, pessoas, costumes, não fure filas, evite vandalismo e depredação...
- Aja com diplomacia, seja cortes, simpático e educado, mas não um bajulador.
- Manda cartões, emails de aniversario, casamento, formatura, morte, pedido de desculpa pelo o atraso ou falta.
- Se for convidado, agradeça e compareça ou justifique antecipadamente.
- Conserve a higiene dos lugares: banheiros, sala de aula, rua...
- Evite excesso de gesticulação, apontar o dedo, olhar relógio...
quarta-feira, 7 de julho de 2010
ATIVIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO ORIENTADA
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
1º) Faça uma análise sobre o processo de alienação citado por Hanna Arendt no livro “O que é política”, destacando a relação desse processo com o preconceito contra a política. Explique de que forma a desconstrução desse preconceito pode ser relevante para uma nova perspectiva política para a humanidade.
Depois de introduzir muito novos conceitos lingüísticos ao glossário político e ainda rever os já existentes, Hannah Arendt passa a tratar da inversão do valor social da Vita Activa entre a antiguidade clássica e a era moderna. Compreendeu, por exemplo, que a esfera pública da antiguidade era ocupada obrigatoriamente por homens livres e, a condição para que estes assim o fossem era a de não laborarem por seu sustento. Isto se deve ao fato de, nestas sociedades, a vida privada e seus individualismos serem tidas como inferiores à vida pública.
A era moderna, segundo Hannah Arendt não apenas diluiu a antiga divisão entre o privado e o público, mas também alterou o significado dos dois termos e a sua importância para a vida do cidadão. Com o trabalho transferido para o espaço público de relações, graças ao nascimento das fábricas, muito do que se entendia como público tornou-se privado e muito do que era privado tornou-se público, com perda para ambos. A Res Publica com isso, deixou de ser o fator principal que movia os homens o pensamento plural - como dizia Hannah – deixou de existir. O lugar onde os homens exerciam sua liberdade – que, para ela, só é possível assim – foi destruído e dele restou apenas uma geral alienação do mundo, uma sociedade de operários (laboradores) que anseiam utopicamente uma sociedade sem trabalho, sendo que, estes mesmos homens já haviam perdido completamente o domínio sobre qualquer outra forma de organização social.
A aspecto mais conclusivo e impressionante no pensamento de Hannah Arendt é sem dúvida o político. Seu desenvolvimento filosófico foi desvendar através da mecânica dos fatos políticos o lugar onde o a humanidade realmente se situa. Por fim, os conjuntos de fatos que nos fizeram livres são os mesmos que não conseguiram legitimar nossa liberdade já que no processo revolucionário perderam-se, na práxis, os conceitos de público/privado, autoridade/ força, bem como os de cultura, política e até de Estado.
Nada é tão identificável com a Arendt, a redescoberta da sabedoria acontecerá com os que resgatarem a plena realidade de seu ser concreto que ressurge quando situamos nosso pensamento na lacuna temporal entre o passado e o futuro.
2º) Ao discutir o tema “ideal político”, o professor Francis Wolff conclui: O “ideal político” só pode existir sem a submissão a um poder externo à comunidade e deve ser exercido coletivamente por cada indivíduo a partir do auto-governo.
Analise os dois exemplos de sociedade citados por Wolf no ensaio “a invenção da política”, destacando de que forma essas sociedades se organizaram com o objetivo de construir uma comunidade política que garantisse a qualidade de vida dos seus integrantes.
Em busca da essência do político, discute-se a necessidade de pensar a política para além dos preconceitos que a caracterizam no senso comum, mostrando que historicamente ela se efetiva quando uma comunidade mostra-se capaz de constituir uma unidade, uma esfera pública, seja pela ação cidadã, em termos de autogoverno, seja pela necessidade de um poder externo e coativo, característico da “cidadania” passiva.
A natureza humana é individualista e egoísta E os interesses públicos DEVEM ESTAR acima dos interesses privados, só podem ser pensadas e efetivadas a partir de uma educação intensiva e extensiva capaz de superar o individualismo egoísta em prol da cidadania ativa.
Para Francis Wolff um poder governamental deve ser movido pelo intuito de manter a ordem; o exercício do poder político mantém uma ordem pré-estabelecida proporcionando elementos mínimos de legitimação das decisões governamentais, ou simplesmente a governabilidade.
O governo, representativo de indivíduos possuidores de direitos privados, expressaria uma concepção defensiva de cidadania, assentada em interesses econômicos. A esfera privada fica, assim, submetida à ótica da deliberação coletiva e os direitos serão definidos pela vontade política prevalecente e não por alguma determinação pré-política.
3º) “O grande problema de mensurar os fenômenos mentais não incide somente no fato de serem impossíveis de ser medidos, mas também na natureza subjetiva e privada dos mesmos”
Analise a frase acima na perspectiva da Filosofia da mente, tendo por base a relação mente X cérebro
Filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A filosofia da mente envolve estudos metafísicos sobre o modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a consciência.
A mente tida como uma máquina pensante, complexa e individual, tem sido alvo de diversos estudos porém, pouco ainda se sabe dessa tao misteriosa parte do ser humano. Diferentemente de algo estrutural, de algo que pode ser visto com o desenvolvimento da neuroimagem, a mente é algo subjetivo, sendo analisada apenas atraves de observações feitas periodicamente, ao longo do tempo. A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista alguma entidade — uma alma ou espírito — separada ou distinta do corpo ou do cérebro, e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, da lingüística e da inteligência artificial.
Mente é o estado da consciência ou subconsciência que possibilita a expressão da natureza humana. ' Etimologicamente, o termo vem do latim mèntem, que tem o significado de pensar, conhecer, entender. É o termo mais comumente utilizado para descrever as funções superiores do cerebro humano relacionadas a cognição e comportamento
De um ponto de vista filosófico, pode-se dizer que a função mais importante do cérebro é servir como estrutura física subjacente da mente. Do o ponto de vista biológico, entretanto, a função mais importante do cérebro é a de gerador de comportamentos que promovam o bem-estar de um animal. O cérebro controla o comportamento, seja ativando músculos, seja causando a secreção de substâncias químicas. Por fim, ainda nos restam inumeras dúvidas sobre o que realmente é a mente e seus eventos causais, se a mente é separada do físico, ou se é algo que caminha junto, mas uma coisa é certa, nada é tão misterioso, intrigante e de uma complexidade incrível como a mente humana.
4º) Segundo Sócrates, a essência do conhecimento já existe inata no sujeito, sendo necessária a dúvida para a construção do aprendizado (método maiêutico). Já para Aristóteles o conhecimento da realidade vem pela experiência, o que ele chama de “intelecto ativo”. Trazendo esses olhares para a contemporaneidade e à luz da Filosofia da Educação, aponte a contribuição desses pensadores para a práxis pedagógica atual.
Sócrates acreditava que a natureza humana levava as pessoas a agir corretamente e de acordo com o conhecimento. Achava que as ações más e erradas originavam-se da ignorância e do fracasso em descobrir por que as pessoas agiam dessa forma. Consta que afirmou que "uma vida sem investigação não vale a pena ser vivida" e "nenhum homem faz o mal conscientemente". Sócrates devotou-se inteiramente à busca da verdade e do bem.
Desenvolveu um método prático baseado no diálogo e no questionamento e que tem a razão como seu fundamento principal. Seu método consta de duas fases: a ironia e a maiêutica.
A primeira fase, o objetivo fundamental, é a análise de definições concretas, a qual reconhece nossa ignorância diante das definições que estamos buscando. Só quando reconhecemos nossa ignorância é que estamos aptos a buscar a verdade. A segunda fase consiste propriamente na busca da verdade, na definição universal. Neste sentido Sócrates propôs a maiêutica, que em grego significa “parto das idéias”. A maiêutica tinha por finalidade levar as pessoas a desenvolverem suas idéias e a darem à luz a novas idéias.
Aristóteles procura resolver o problema do conhecimento do ser a partir das antinomias acumuladas por seus predecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança, problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.
Para Aristóteles o intelecto ativo é responsável por fazer juízos e proposições. Ou seja, a síntese de conceitos que podem ser verdadeiros ou falsos. Através da dedução silogística é possível chegar a classificações verdadeiras.
O intelecto passivo capta as formas inteligíveis passivamente. Essa seria uma das características do intelecto. Por mais que o intelecto se distingua da sensação, as imagens mentais funcionam como sensações que "afetam" o intelecto da mesma maneira que os objetos sensíveis afetam os sentidos.
Sócrates e Aristóteles foram grandes mestres, dedicados à prática do ensino. Aristóteles afirmava que o objetivo da educação é fazer as pessoas virtuosas.
A educação é caracterizada pela delimitação de um objeto a ser estudado e a utilização de linguagem e métodos rigorosos que permitam a descoberta das regularidades existentes nos fatos. Todos os povos têm uma educação transmitida muitas vezes de maneira espontânea. Diante disso, cabe ao filósofo acompanhar, reflexiva e criticamente a ação pedagógica de modo a promover a passagem dessa educação guiada pelo senso comum para uma educação sistematizada. A filosofia da educação desempenha papel importante para denunciar as formas ideológicas, graças ao seu poder de questionamento do que seja educação, não permitindo que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme em adestramento.
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
1º) Faça uma análise sobre o processo de alienação citado por Hanna Arendt no livro “O que é política”, destacando a relação desse processo com o preconceito contra a política. Explique de que forma a desconstrução desse preconceito pode ser relevante para uma nova perspectiva política para a humanidade.
Depois de introduzir muito novos conceitos lingüísticos ao glossário político e ainda rever os já existentes, Hannah Arendt passa a tratar da inversão do valor social da Vita Activa entre a antiguidade clássica e a era moderna. Compreendeu, por exemplo, que a esfera pública da antiguidade era ocupada obrigatoriamente por homens livres e, a condição para que estes assim o fossem era a de não laborarem por seu sustento. Isto se deve ao fato de, nestas sociedades, a vida privada e seus individualismos serem tidas como inferiores à vida pública.
A era moderna, segundo Hannah Arendt não apenas diluiu a antiga divisão entre o privado e o público, mas também alterou o significado dos dois termos e a sua importância para a vida do cidadão. Com o trabalho transferido para o espaço público de relações, graças ao nascimento das fábricas, muito do que se entendia como público tornou-se privado e muito do que era privado tornou-se público, com perda para ambos. A Res Publica com isso, deixou de ser o fator principal que movia os homens o pensamento plural - como dizia Hannah – deixou de existir. O lugar onde os homens exerciam sua liberdade – que, para ela, só é possível assim – foi destruído e dele restou apenas uma geral alienação do mundo, uma sociedade de operários (laboradores) que anseiam utopicamente uma sociedade sem trabalho, sendo que, estes mesmos homens já haviam perdido completamente o domínio sobre qualquer outra forma de organização social.
A aspecto mais conclusivo e impressionante no pensamento de Hannah Arendt é sem dúvida o político. Seu desenvolvimento filosófico foi desvendar através da mecânica dos fatos políticos o lugar onde o a humanidade realmente se situa. Por fim, os conjuntos de fatos que nos fizeram livres são os mesmos que não conseguiram legitimar nossa liberdade já que no processo revolucionário perderam-se, na práxis, os conceitos de público/privado, autoridade/ força, bem como os de cultura, política e até de Estado.
Nada é tão identificável com a Arendt, a redescoberta da sabedoria acontecerá com os que resgatarem a plena realidade de seu ser concreto que ressurge quando situamos nosso pensamento na lacuna temporal entre o passado e o futuro.
2º) Ao discutir o tema “ideal político”, o professor Francis Wolff conclui: O “ideal político” só pode existir sem a submissão a um poder externo à comunidade e deve ser exercido coletivamente por cada indivíduo a partir do auto-governo.
Analise os dois exemplos de sociedade citados por Wolf no ensaio “a invenção da política”, destacando de que forma essas sociedades se organizaram com o objetivo de construir uma comunidade política que garantisse a qualidade de vida dos seus integrantes.
Em busca da essência do político, discute-se a necessidade de pensar a política para além dos preconceitos que a caracterizam no senso comum, mostrando que historicamente ela se efetiva quando uma comunidade mostra-se capaz de constituir uma unidade, uma esfera pública, seja pela ação cidadã, em termos de autogoverno, seja pela necessidade de um poder externo e coativo, característico da “cidadania” passiva.
A natureza humana é individualista e egoísta E os interesses públicos DEVEM ESTAR acima dos interesses privados, só podem ser pensadas e efetivadas a partir de uma educação intensiva e extensiva capaz de superar o individualismo egoísta em prol da cidadania ativa.
Para Francis Wolff um poder governamental deve ser movido pelo intuito de manter a ordem; o exercício do poder político mantém uma ordem pré-estabelecida proporcionando elementos mínimos de legitimação das decisões governamentais, ou simplesmente a governabilidade.
O governo, representativo de indivíduos possuidores de direitos privados, expressaria uma concepção defensiva de cidadania, assentada em interesses econômicos. A esfera privada fica, assim, submetida à ótica da deliberação coletiva e os direitos serão definidos pela vontade política prevalecente e não por alguma determinação pré-política.
3º) “O grande problema de mensurar os fenômenos mentais não incide somente no fato de serem impossíveis de ser medidos, mas também na natureza subjetiva e privada dos mesmos”
Analise a frase acima na perspectiva da Filosofia da mente, tendo por base a relação mente X cérebro
Filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A filosofia da mente envolve estudos metafísicos sobre o modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a consciência.
A mente tida como uma máquina pensante, complexa e individual, tem sido alvo de diversos estudos porém, pouco ainda se sabe dessa tao misteriosa parte do ser humano. Diferentemente de algo estrutural, de algo que pode ser visto com o desenvolvimento da neuroimagem, a mente é algo subjetivo, sendo analisada apenas atraves de observações feitas periodicamente, ao longo do tempo. A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista alguma entidade — uma alma ou espírito — separada ou distinta do corpo ou do cérebro, e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, da lingüística e da inteligência artificial.
Mente é o estado da consciência ou subconsciência que possibilita a expressão da natureza humana. ' Etimologicamente, o termo vem do latim mèntem, que tem o significado de pensar, conhecer, entender. É o termo mais comumente utilizado para descrever as funções superiores do cerebro humano relacionadas a cognição e comportamento
De um ponto de vista filosófico, pode-se dizer que a função mais importante do cérebro é servir como estrutura física subjacente da mente. Do o ponto de vista biológico, entretanto, a função mais importante do cérebro é a de gerador de comportamentos que promovam o bem-estar de um animal. O cérebro controla o comportamento, seja ativando músculos, seja causando a secreção de substâncias químicas. Por fim, ainda nos restam inumeras dúvidas sobre o que realmente é a mente e seus eventos causais, se a mente é separada do físico, ou se é algo que caminha junto, mas uma coisa é certa, nada é tão misterioso, intrigante e de uma complexidade incrível como a mente humana.
4º) Segundo Sócrates, a essência do conhecimento já existe inata no sujeito, sendo necessária a dúvida para a construção do aprendizado (método maiêutico). Já para Aristóteles o conhecimento da realidade vem pela experiência, o que ele chama de “intelecto ativo”. Trazendo esses olhares para a contemporaneidade e à luz da Filosofia da Educação, aponte a contribuição desses pensadores para a práxis pedagógica atual.
Sócrates acreditava que a natureza humana levava as pessoas a agir corretamente e de acordo com o conhecimento. Achava que as ações más e erradas originavam-se da ignorância e do fracasso em descobrir por que as pessoas agiam dessa forma. Consta que afirmou que "uma vida sem investigação não vale a pena ser vivida" e "nenhum homem faz o mal conscientemente". Sócrates devotou-se inteiramente à busca da verdade e do bem.
Desenvolveu um método prático baseado no diálogo e no questionamento e que tem a razão como seu fundamento principal. Seu método consta de duas fases: a ironia e a maiêutica.
A primeira fase, o objetivo fundamental, é a análise de definições concretas, a qual reconhece nossa ignorância diante das definições que estamos buscando. Só quando reconhecemos nossa ignorância é que estamos aptos a buscar a verdade. A segunda fase consiste propriamente na busca da verdade, na definição universal. Neste sentido Sócrates propôs a maiêutica, que em grego significa “parto das idéias”. A maiêutica tinha por finalidade levar as pessoas a desenvolverem suas idéias e a darem à luz a novas idéias.
Aristóteles procura resolver o problema do conhecimento do ser a partir das antinomias acumuladas por seus predecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança, problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.
Para Aristóteles o intelecto ativo é responsável por fazer juízos e proposições. Ou seja, a síntese de conceitos que podem ser verdadeiros ou falsos. Através da dedução silogística é possível chegar a classificações verdadeiras.
O intelecto passivo capta as formas inteligíveis passivamente. Essa seria uma das características do intelecto. Por mais que o intelecto se distingua da sensação, as imagens mentais funcionam como sensações que "afetam" o intelecto da mesma maneira que os objetos sensíveis afetam os sentidos.
Sócrates e Aristóteles foram grandes mestres, dedicados à prática do ensino. Aristóteles afirmava que o objetivo da educação é fazer as pessoas virtuosas.
A educação é caracterizada pela delimitação de um objeto a ser estudado e a utilização de linguagem e métodos rigorosos que permitam a descoberta das regularidades existentes nos fatos. Todos os povos têm uma educação transmitida muitas vezes de maneira espontânea. Diante disso, cabe ao filósofo acompanhar, reflexiva e criticamente a ação pedagógica de modo a promover a passagem dessa educação guiada pelo senso comum para uma educação sistematizada. A filosofia da educação desempenha papel importante para denunciar as formas ideológicas, graças ao seu poder de questionamento do que seja educação, não permitindo que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme em adestramento.
ATIVIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO ORIENTADA
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
1º) Faça uma análise sobre o processo de alienação citado por Hanna Arendt no livro “O que é política”, destacando a relação desse processo com o preconceito contra a política. Explique de que forma a desconstrução desse preconceito pode ser relevante para uma nova perspectiva política para a humanidade.
Depois de introduzir muito novos conceitos lingüísticos ao glossário político e ainda rever os já existentes, Hannah Arendt passa a tratar da inversão do valor social da Vita Activa entre a antiguidade clássica e a era moderna. Compreendeu, por exemplo, que a esfera pública da antiguidade era ocupada obrigatoriamente por homens livres e, a condição para que estes assim o fossem era a de não laborarem por seu sustento. Isto se deve ao fato de, nestas sociedades, a vida privada e seus individualismos serem tidas como inferiores à vida pública.
A era moderna, segundo Hannah Arendt não apenas diluiu a antiga divisão entre o privado e o público, mas também alterou o significado dos dois termos e a sua importância para a vida do cidadão. Com o trabalho transferido para o espaço público de relações, graças ao nascimento das fábricas, muito do que se entendia como público tornou-se privado e muito do que era privado tornou-se público, com perda para ambos. A Res Publica com isso, deixou de ser o fator principal que movia os homens o pensamento plural - como dizia Hannah – deixou de existir. O lugar onde os homens exerciam sua liberdade – que, para ela, só é possível assim – foi destruído e dele restou apenas uma geral alienação do mundo, uma sociedade de operários (laboradores) que anseiam utopicamente uma sociedade sem trabalho, sendo que, estes mesmos homens já haviam perdido completamente o domínio sobre qualquer outra forma de organização social.
A aspecto mais conclusivo e impressionante no pensamento de Hannah Arendt é sem dúvida o político. Seu desenvolvimento filosófico foi desvendar através da mecânica dos fatos políticos o lugar onde o a humanidade realmente se situa. Por fim, os conjuntos de fatos que nos fizeram livres são os mesmos que não conseguiram legitimar nossa liberdade já que no processo revolucionário perderam-se, na práxis, os conceitos de público/privado, autoridade/ força, bem como os de cultura, política e até de Estado.
Nada é tão identificável com a Arendt, a redescoberta da sabedoria acontecerá com os que resgatarem a plena realidade de seu ser concreto que ressurge quando situamos nosso pensamento na lacuna temporal entre o passado e o futuro.
2º) Ao discutir o tema “ideal político”, o professor Francis Wolff conclui: O “ideal político” só pode existir sem a submissão a um poder externo à comunidade e deve ser exercido coletivamente por cada indivíduo a partir do auto-governo.
Analise os dois exemplos de sociedade citados por Wolf no ensaio “a invenção da política”, destacando de que forma essas sociedades se organizaram com o objetivo de construir uma comunidade política que garantisse a qualidade de vida dos seus integrantes.
Em busca da essência do político, discute-se a necessidade de pensar a política para além dos preconceitos que a caracterizam no senso comum, mostrando que historicamente ela se efetiva quando uma comunidade mostra-se capaz de constituir uma unidade, uma esfera pública, seja pela ação cidadã, em termos de autogoverno, seja pela necessidade de um poder externo e coativo, característico da “cidadania” passiva.
A natureza humana é individualista e egoísta E os interesses públicos DEVEM ESTAR acima dos interesses privados, só podem ser pensadas e efetivadas a partir de uma educação intensiva e extensiva capaz de superar o individualismo egoísta em prol da cidadania ativa.
Para Francis Wolff um poder governamental deve ser movido pelo intuito de manter a ordem; o exercício do poder político mantém uma ordem pré-estabelecida proporcionando elementos mínimos de legitimação das decisões governamentais, ou simplesmente a governabilidade.
O governo, representativo de indivíduos possuidores de direitos privados, expressaria uma concepção defensiva de cidadania, assentada em interesses econômicos. A esfera privada fica, assim, submetida à ótica da deliberação coletiva e os direitos serão definidos pela vontade política prevalecente e não por alguma determinação pré-política.
3º) “O grande problema de mensurar os fenômenos mentais não incide somente no fato de serem impossíveis de ser medidos, mas também na natureza subjetiva e privada dos mesmos”
Analise a frase acima na perspectiva da Filosofia da mente, tendo por base a relação mente X cérebro
Filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A filosofia da mente envolve estudos metafísicos sobre o modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a consciência.
A mente tida como uma máquina pensante, complexa e individual, tem sido alvo de diversos estudos porém, pouco ainda se sabe dessa tao misteriosa parte do ser humano. Diferentemente de algo estrutural, de algo que pode ser visto com o desenvolvimento da neuroimagem, a mente é algo subjetivo, sendo analisada apenas atraves de observações feitas periodicamente, ao longo do tempo. A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista alguma entidade — uma alma ou espírito — separada ou distinta do corpo ou do cérebro, e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, da lingüística e da inteligência artificial.
Mente é o estado da consciência ou subconsciência que possibilita a expressão da natureza humana. ' Etimologicamente, o termo vem do latim mèntem, que tem o significado de pensar, conhecer, entender. É o termo mais comumente utilizado para descrever as funções superiores do cerebro humano relacionadas a cognição e comportamento
De um ponto de vista filosófico, pode-se dizer que a função mais importante do cérebro é servir como estrutura física subjacente da mente. Do o ponto de vista biológico, entretanto, a função mais importante do cérebro é a de gerador de comportamentos que promovam o bem-estar de um animal. O cérebro controla o comportamento, seja ativando músculos, seja causando a secreção de substâncias químicas. Por fim, ainda nos restam inumeras dúvidas sobre o que realmente é a mente e seus eventos causais, se a mente é separada do físico, ou se é algo que caminha junto, mas uma coisa é certa, nada é tão misterioso, intrigante e de uma complexidade incrível como a mente humana.
4º) Segundo Sócrates, a essência do conhecimento já existe inata no sujeito, sendo necessária a dúvida para a construção do aprendizado (método maiêutico). Já para Aristóteles o conhecimento da realidade vem pela experiência, o que ele chama de “intelecto ativo”. Trazendo esses olhares para a contemporaneidade e à luz da Filosofia da Educação, aponte a contribuição desses pensadores para a práxis pedagógica atual.
Sócrates acreditava que a natureza humana levava as pessoas a agir corretamente e de acordo com o conhecimento. Achava que as ações más e erradas originavam-se da ignorância e do fracasso em descobrir por que as pessoas agiam dessa forma. Consta que afirmou que "uma vida sem investigação não vale a pena ser vivida" e "nenhum homem faz o mal conscientemente". Sócrates devotou-se inteiramente à busca da verdade e do bem.
Desenvolveu um método prático baseado no diálogo e no questionamento e que tem a razão como seu fundamento principal. Seu método consta de duas fases: a ironia e a maiêutica.
A primeira fase, o objetivo fundamental, é a análise de definições concretas, a qual reconhece nossa ignorância diante das definições que estamos buscando. Só quando reconhecemos nossa ignorância é que estamos aptos a buscar a verdade. A segunda fase consiste propriamente na busca da verdade, na definição universal. Neste sentido Sócrates propôs a maiêutica, que em grego significa “parto das idéias”. A maiêutica tinha por finalidade levar as pessoas a desenvolverem suas idéias e a darem à luz a novas idéias.
Aristóteles procura resolver o problema do conhecimento do ser a partir das antinomias acumuladas por seus predecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança, problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.
Para Aristóteles o intelecto ativo é responsável por fazer juízos e proposições. Ou seja, a síntese de conceitos que podem ser verdadeiros ou falsos. Através da dedução silogística é possível chegar a classificações verdadeiras.
O intelecto passivo capta as formas inteligíveis passivamente. Essa seria uma das características do intelecto. Por mais que o intelecto se distingua da sensação, as imagens mentais funcionam como sensações que "afetam" o intelecto da mesma maneira que os objetos sensíveis afetam os sentidos.
Sócrates e Aristóteles foram grandes mestres, dedicados à prática do ensino. Aristóteles afirmava que o objetivo da educação é fazer as pessoas virtuosas.
A educação é caracterizada pela delimitação de um objeto a ser estudado e a utilização de linguagem e métodos rigorosos que permitam a descoberta das regularidades existentes nos fatos. Todos os povos têm uma educação transmitida muitas vezes de maneira espontânea. Diante disso, cabe ao filósofo acompanhar, reflexiva e criticamente a ação pedagógica de modo a promover a passagem dessa educação guiada pelo senso comum para uma educação sistematizada. A filosofia da educação desempenha papel importante para denunciar as formas ideológicas, graças ao seu poder de questionamento do que seja educação, não permitindo que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme em adestramento.
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
1º) Faça uma análise sobre o processo de alienação citado por Hanna Arendt no livro “O que é política”, destacando a relação desse processo com o preconceito contra a política. Explique de que forma a desconstrução desse preconceito pode ser relevante para uma nova perspectiva política para a humanidade.
Depois de introduzir muito novos conceitos lingüísticos ao glossário político e ainda rever os já existentes, Hannah Arendt passa a tratar da inversão do valor social da Vita Activa entre a antiguidade clássica e a era moderna. Compreendeu, por exemplo, que a esfera pública da antiguidade era ocupada obrigatoriamente por homens livres e, a condição para que estes assim o fossem era a de não laborarem por seu sustento. Isto se deve ao fato de, nestas sociedades, a vida privada e seus individualismos serem tidas como inferiores à vida pública.
A era moderna, segundo Hannah Arendt não apenas diluiu a antiga divisão entre o privado e o público, mas também alterou o significado dos dois termos e a sua importância para a vida do cidadão. Com o trabalho transferido para o espaço público de relações, graças ao nascimento das fábricas, muito do que se entendia como público tornou-se privado e muito do que era privado tornou-se público, com perda para ambos. A Res Publica com isso, deixou de ser o fator principal que movia os homens o pensamento plural - como dizia Hannah – deixou de existir. O lugar onde os homens exerciam sua liberdade – que, para ela, só é possível assim – foi destruído e dele restou apenas uma geral alienação do mundo, uma sociedade de operários (laboradores) que anseiam utopicamente uma sociedade sem trabalho, sendo que, estes mesmos homens já haviam perdido completamente o domínio sobre qualquer outra forma de organização social.
A aspecto mais conclusivo e impressionante no pensamento de Hannah Arendt é sem dúvida o político. Seu desenvolvimento filosófico foi desvendar através da mecânica dos fatos políticos o lugar onde o a humanidade realmente se situa. Por fim, os conjuntos de fatos que nos fizeram livres são os mesmos que não conseguiram legitimar nossa liberdade já que no processo revolucionário perderam-se, na práxis, os conceitos de público/privado, autoridade/ força, bem como os de cultura, política e até de Estado.
Nada é tão identificável com a Arendt, a redescoberta da sabedoria acontecerá com os que resgatarem a plena realidade de seu ser concreto que ressurge quando situamos nosso pensamento na lacuna temporal entre o passado e o futuro.
2º) Ao discutir o tema “ideal político”, o professor Francis Wolff conclui: O “ideal político” só pode existir sem a submissão a um poder externo à comunidade e deve ser exercido coletivamente por cada indivíduo a partir do auto-governo.
Analise os dois exemplos de sociedade citados por Wolf no ensaio “a invenção da política”, destacando de que forma essas sociedades se organizaram com o objetivo de construir uma comunidade política que garantisse a qualidade de vida dos seus integrantes.
Em busca da essência do político, discute-se a necessidade de pensar a política para além dos preconceitos que a caracterizam no senso comum, mostrando que historicamente ela se efetiva quando uma comunidade mostra-se capaz de constituir uma unidade, uma esfera pública, seja pela ação cidadã, em termos de autogoverno, seja pela necessidade de um poder externo e coativo, característico da “cidadania” passiva.
A natureza humana é individualista e egoísta E os interesses públicos DEVEM ESTAR acima dos interesses privados, só podem ser pensadas e efetivadas a partir de uma educação intensiva e extensiva capaz de superar o individualismo egoísta em prol da cidadania ativa.
Para Francis Wolff um poder governamental deve ser movido pelo intuito de manter a ordem; o exercício do poder político mantém uma ordem pré-estabelecida proporcionando elementos mínimos de legitimação das decisões governamentais, ou simplesmente a governabilidade.
O governo, representativo de indivíduos possuidores de direitos privados, expressaria uma concepção defensiva de cidadania, assentada em interesses econômicos. A esfera privada fica, assim, submetida à ótica da deliberação coletiva e os direitos serão definidos pela vontade política prevalecente e não por alguma determinação pré-política.
3º) “O grande problema de mensurar os fenômenos mentais não incide somente no fato de serem impossíveis de ser medidos, mas também na natureza subjetiva e privada dos mesmos”
Analise a frase acima na perspectiva da Filosofia da mente, tendo por base a relação mente X cérebro
Filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A filosofia da mente envolve estudos metafísicos sobre o modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a consciência.
A mente tida como uma máquina pensante, complexa e individual, tem sido alvo de diversos estudos porém, pouco ainda se sabe dessa tao misteriosa parte do ser humano. Diferentemente de algo estrutural, de algo que pode ser visto com o desenvolvimento da neuroimagem, a mente é algo subjetivo, sendo analisada apenas atraves de observações feitas periodicamente, ao longo do tempo. A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista alguma entidade — uma alma ou espírito — separada ou distinta do corpo ou do cérebro, e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, da lingüística e da inteligência artificial.
Mente é o estado da consciência ou subconsciência que possibilita a expressão da natureza humana. ' Etimologicamente, o termo vem do latim mèntem, que tem o significado de pensar, conhecer, entender. É o termo mais comumente utilizado para descrever as funções superiores do cerebro humano relacionadas a cognição e comportamento
De um ponto de vista filosófico, pode-se dizer que a função mais importante do cérebro é servir como estrutura física subjacente da mente. Do o ponto de vista biológico, entretanto, a função mais importante do cérebro é a de gerador de comportamentos que promovam o bem-estar de um animal. O cérebro controla o comportamento, seja ativando músculos, seja causando a secreção de substâncias químicas. Por fim, ainda nos restam inumeras dúvidas sobre o que realmente é a mente e seus eventos causais, se a mente é separada do físico, ou se é algo que caminha junto, mas uma coisa é certa, nada é tão misterioso, intrigante e de uma complexidade incrível como a mente humana.
4º) Segundo Sócrates, a essência do conhecimento já existe inata no sujeito, sendo necessária a dúvida para a construção do aprendizado (método maiêutico). Já para Aristóteles o conhecimento da realidade vem pela experiência, o que ele chama de “intelecto ativo”. Trazendo esses olhares para a contemporaneidade e à luz da Filosofia da Educação, aponte a contribuição desses pensadores para a práxis pedagógica atual.
Sócrates acreditava que a natureza humana levava as pessoas a agir corretamente e de acordo com o conhecimento. Achava que as ações más e erradas originavam-se da ignorância e do fracasso em descobrir por que as pessoas agiam dessa forma. Consta que afirmou que "uma vida sem investigação não vale a pena ser vivida" e "nenhum homem faz o mal conscientemente". Sócrates devotou-se inteiramente à busca da verdade e do bem.
Desenvolveu um método prático baseado no diálogo e no questionamento e que tem a razão como seu fundamento principal. Seu método consta de duas fases: a ironia e a maiêutica.
A primeira fase, o objetivo fundamental, é a análise de definições concretas, a qual reconhece nossa ignorância diante das definições que estamos buscando. Só quando reconhecemos nossa ignorância é que estamos aptos a buscar a verdade. A segunda fase consiste propriamente na busca da verdade, na definição universal. Neste sentido Sócrates propôs a maiêutica, que em grego significa “parto das idéias”. A maiêutica tinha por finalidade levar as pessoas a desenvolverem suas idéias e a darem à luz a novas idéias.
Aristóteles procura resolver o problema do conhecimento do ser a partir das antinomias acumuladas por seus predecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança, problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.
Para Aristóteles o intelecto ativo é responsável por fazer juízos e proposições. Ou seja, a síntese de conceitos que podem ser verdadeiros ou falsos. Através da dedução silogística é possível chegar a classificações verdadeiras.
O intelecto passivo capta as formas inteligíveis passivamente. Essa seria uma das características do intelecto. Por mais que o intelecto se distingua da sensação, as imagens mentais funcionam como sensações que "afetam" o intelecto da mesma maneira que os objetos sensíveis afetam os sentidos.
Sócrates e Aristóteles foram grandes mestres, dedicados à prática do ensino. Aristóteles afirmava que o objetivo da educação é fazer as pessoas virtuosas.
A educação é caracterizada pela delimitação de um objeto a ser estudado e a utilização de linguagem e métodos rigorosos que permitam a descoberta das regularidades existentes nos fatos. Todos os povos têm uma educação transmitida muitas vezes de maneira espontânea. Diante disso, cabe ao filósofo acompanhar, reflexiva e criticamente a ação pedagógica de modo a promover a passagem dessa educação guiada pelo senso comum para uma educação sistematizada. A filosofia da educação desempenha papel importante para denunciar as formas ideológicas, graças ao seu poder de questionamento do que seja educação, não permitindo que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme em adestramento.
terça-feira, 4 de maio de 2010
ATIVIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO ORIENTADA
PSICOLOGIA NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
Mapa Informacional do Texto
A resenha foi feito a partir do texto foi baixado da internet no site do www.4shared.com AFETIVIDADE E COGNIÇÃO
DESENVOLVIMENTO DO INTELIGÊNCIA E AFETIVIDADE NA TEORIA DE JEAN PIAGET
Analisando as concepções sobre o tema noto que a inteligência e afetividade se articulam e se confrontam, e suas características convivem entre si. Para entender essa relação, analiso o estudo de Jean Piaget sobre a inteligência humana. Inspirado na definição de que a moral é um sistema de regras e a essência de toda moralidade está no respeito que o indivíduo adquire por estas regras, que podem ser herdadas, culturalmente, ou modificadas de acordo com o ambiente em que o indivíduo for posto não como um comportamento imposto mas como normas de relacionamento e respeito entre os indivíduos. A modificação das regras se faz necessária quando a pessoa quer participar das atividades coletivas evitando o máximo de atrito entre si.
Piaget formulou a hipótese de que o desenvolvimento da inteligência na infância é baseado em deveres morais, impostos por adultos, que ela deve seguir para sucesso de sua socialização. Quando desrespeitados encontrará problemas na relação com o outro. Para comprovar esta hipótese, Piaget investigou a atuação julgadora da criança com relação ao dano material, a mentira e o roubo. O resultado desta atividade confirma a existência de uma fase de heteronomia no desenvolvimento do juízo moral traduzida no realismo moral. As normas morais não são elaboradas, ou reelaboradas pela consciência. Não são entendidas a partir de sua função social. Há uma concepção objetiva da responsabilidade, ou seja, julga-se pelas conseqüências dos atos e não pela intenção daqueles que agiram. A superação deste realismo moral. Piaget termina suas pesquisa sobre o estudo da moralidade infantil analisando como a “justiça”. Como deve-se avaliar, interpretar um comportamento nas diversas situações sociais respeitando as condições particulares de cada um. A noção de justiça envolve responsabilidade, igualdade, autoridade, idéias de proporção, peso, compensação, equilíbrio. É a mais racional de todas as noções morais, por isso mesmo a mais confundida pela criança. Elas acreditam que toda infração será castigada, quer seja pela ação de outra pessoa, pela natureza, por imposição divina e quanto mais duro o castigo, mais justo ele é e se foi decretada por um adulto é porque é "justa" e deve ser obedecida. Elas podem até achar alguma sanção injustiça, mas tem certeza que deve ser obedecida.
Piaget conclui com a idéia de duas morais na criança e os tipos de relações sociais e procura explicar as razões pelas quais o desenvolvimento moral da criança recebe uma lei que se deve submeter (heteronomia) e depois passa a alcançar autonomia.
Piaget propõe sua própria teoria, vez que a psicologia não se propos a mostrar que o desenvolvimento seja dado de antemão pela própria "natureza humana", mas seus argumentos limitam-se a ir de encontro àqueles que o reduzem à mera interiorização, por parte da criança, de idéias e padrões de conduta impostos pela sociedade.
AS DUAS MORAIS DA CRIANÇA E OS TIPOS DE RELAÇÕES SOCIAIS
Para Durkheim o desenvolvimento intelectual e moral decorre de uma interiorização, pela criança, da cultura vigente. Para Piaget o sujeito participa ativamente de seu desenvolvimento moral e intelectual e a autonomia do indivíduo perante a sociedade é postulada e defendida. Piaget discute com Émile Durkheim e Pierre Bovet a respeito da moral (Sociologie_et_Philosophie (Paris, PUF, 1974a e L'Éducation_Morale-Paris, PUF, 1974b) “Todo ato moral envolve obrigatoriamente dois aspectos: o dever e o bem. O dever corresponde ao sentimento de obrigatoriedade ante uma regra moral, e que nos faz a ela obedecer: "Assim, há regras que apresentam esta característica particular: não realizamos certos atos por ela proibidos simplesmente porque elas o proíbem. É o que chamamos de caráter obrigatório da regra moral.” (1974a, p. 61). Durkheim reconhece o dever como um fim em si mesmo, como Kant, mas separa radicalmente Razão e Sensibilidade. Não concorda que o respeito as regras tenha ligação com as emoções mas exclusivamente com a Razão. "Perseguir um fim que nos deixa frios, que não nos parece bom, que não toca nossa sensibilidade, é psicologicamente impossível", escreve Durkheim (ibid, p. 62). Assim, além da obrigatoriedade, toda regra moral tem que ser boa e não imposta para ser obedecida. O dever e o bem devem ser pensadas em conjunto. No entanto, Durkheim reconhece que imposição e desejo pode ser uma contradição.
Para Durkheim, a sociedade é o que melhor representa uma coisa imposta e desejada ao mesmo tempo, porque ela protege a convivência social regulando o comportamento e conservando o respeito entre todos. É uma realidade que pensa no coletivo e nos ultrapassa (...) “Ao mesmo tempo que nos ultrapassa está dentro de nós, já que não pode viver a não ser em nós e por nós”. (ibid. p. 73-74). Continuamos tendo autonomia moral mesmo obedecendo as regras sociais, pois elas nos são uteis. Por isso elas são passadas de geração a geração com algumas atualizações essenciais e sua transgressão deve ser punida.
Piaget concorda com Durkheim que a moral é um fato social, portanto, uma consciência individual não seria capaz de elaborar e respeitar regras morais. Para ele não existe o Indivíduo, pensado como unidade isolada, mas relações sociais, diferentes entre si produzindo efeitos psicológicos diversos. Piaget divide as relações interindividuais em duas grandes categorias: a coação e a cooperação. A coação não deve ser entendida como uma tirania exercida por uma pessoa ou por uma instituição. Um bom exemplo de relação social de coação é dado pela família: os pais impoem regras por proteção e carinho. As relações de cooperação (co-operação, Piaget escrevia para sublinhar a etimologia do termo) são regidas pela reciprocidade, respeito, autonomia, acordo. Com a cooperação pode-se compreender o ponto de vista alheio e assim desenvolver-se intelectual e moralmente. Piaget nega a unidade dos fatos morais (fala em duas morais, a da coação e a da cooperação), e afirma que noções de dever e do bem têm origens e gêneses diferentes: a gênese do sentimento de obrigatoriedade, portanto do dever, estão na coação; o bem, por sua vez, é um produto da cooperação.
Piaget aproveita da teoria de Durkheim a explicação para a gênese da noção de dever: "Parece-nos incontestável não somente que o conjunto dos deveres numa sociedade dada está ligado à estrutura desta sociedade, mas ainda que a forma mesma do dever (o sentimento de obrigação) está ligada à coação exercida pela sociedade sobre os indivíduos" (JM, p. 280).
O estudo feito por Piaget confirmam isto: no início do desenvolvimento moral, quando a criança ainda está submetida a uma relação de coação, tudo é dever e obediência e em algumas pessoas, assim permanece a vida toda - alguns adultos so conseguem raciocinar moralmente a partir de um conjunto de regras estabelecidas socialmente. Resumindo, as relações de coação explicam a dominância da noção do dever, assim, essas relações sobre moral preconizadas por Durkheim, são condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento moral sem perder de vista a necessidade de uma "moral comum". Para Piaget, somente as relações de cooperação possibilitam tal evolução. A coação dá o modelo a seguir, a cooperação dá o método, a forma. É preciso autonomia para uma superação do realismo moral para que haja respeito mútuo e não só obediência e justiça. Escreve ele: “o respeito unilateral, que é a fonte da consciência do dever, consiste em uma combinação _sui _generis de medo e amor, a qual implica por conseguinte um elemento de 'desejabilidade'. Mas a recíproca não é verdadeira: há ações boas sem elemento de obrigação." (JM, p. 281).
O equilíbrio social não se dá pela padronização dos comportamentos, mas sim pela coordenação das diferenças existentes. "Neste caso, cada perspectiva individual pode ser diferente das outras, e mesmo assim ser adequada e não comprometer a coerência do conjunto" (JM, p. 282). Está assim garantida a autonomia e a "moral comum", esta última, em constante modificação.
A justiça, inicialmente vista como tradição, autoridade, passa e usar critérios da igualdade e da equidade para julgar cada caso.
Piaget concorda com a afirmação de Durkheim que a educação moral se dá a todo instante na participação social da criança. Mas discorda quando é afirmado que somente a imposição da autoridade, a apresentação de modelos possibilitam o desenvolvimento moral. Para Piaget, tal método coercitivo é inevitável e necessário no início da educação moral, mas se permanecer exclusivo vai encurralar a criança na heteronomia. Para conquistar a autonomia, é preciso respeitar e aproveitar as relações de cooperação que espontaneamente nascem das relações entre crianças.
Com relação as idéias de Bovet, Piaget também acha que o desenvolvimento moral se dá inicialmente pelo respeito da criança ao adulto, nas relações entre as pessoas. Quanto mais se relaciona socialmente aumenta a noção de moral, dever coletivo. Em resumo, a teoria de Bovet, como a de Durkheim, é correta para explicar o início do desenvolvimento moral da criança, mas erra quando confunde duas morais, a da coação e da cooperação. Somente a última permite a autonomia necessária à construção e consolidação do mundo democrático.
AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA NA TEORIA PIAGETIANA DO DESENVOLVIMENTO DO JUÍZO MORAL
Analisando as implicações da teoria piagetiana na relação entre cognição e afeto os estudos de Piaget notaram que o juízo moral se desenvolve passando por uma fase de heteronomia antes de alcançar a autonomia, mas a respeito da moral, fala-se sobre justiça social, democracia etc, mas separam frequentemente a ação e juízo: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Piaget elabora uma teoria que mostra que na ação moral se confrontam afetividade e Razão.
Analisando a afetividade e a razão, vemos que a educação moral objetiva faz com que sentimentos e desejos sejam controlados, em prol da sociedade. Durkheim mostra que o espírito de disciplina é a base de toda moral e a Razão é a ponderação do que é certo ou errado, do que é bom ou ruim, do que é justo ou injusto, são seus ditames que orientam a ação. Não há domínio da Razão, nem conflito entre as partes: ela está junto com afetividade, se complementando. Age-se moralmente, guiado pela Razão e movido pelo sentimento. Durkheim e Kant reconhecem que a Razão estabelece deveres, na hora de conter um forte desejo. Mas, contra Kant, afirma que não pode haver ação só pela razão, sem algum afeto mais forte. Para Bovet o respeito pela regra moral é um misto de amor e medo.
A afetividade gera as ações, é sua "energia"e a Razão está a seu serviço. O desenvolvimento da inteligência permite que a motivação seja despertada mas o princípio básico é o mesmo: Na área moral, a noção de interesse é mais problemática, pois agimos contra nossos interesses: Quero uma coisa mas contenho-me porque não é correto roubar. Se não roubo por medo da prisão, sigo um interesse pessoal. O comportamento está correto, mas não é moral. Não pode haver interesse próprio pra avaliar uma ação moral. A norma deve ser seguida por ser boa, não porque interessante. Mas será possível agir apenas em função de uma avaliação racional? Será a Razão uma força psicológica? Para kant: "o respeito pela lei moral é um sentimento produzido por um princípio intelectual, e este sentimento é o único que conhecemos perfeitamente a priori, e do qual podemos perceber a necessidade" (ibid., p. 77).
Piaget concorda com Durkheim e Bovet que o início do desenvolvimento moral, o respeito as regras morais é inspirado pelos sentimentos de medo, amor, sagrado. No entanto, esses sentimentos desaparecem da moral da autonomia quando o respeito unilateral é substituído pelo respeito mútuo. Mas o que faz alguém agir por respeito mútuo? Será o medo do outro, o amor, a visão da sociedade entendida como "ser coletivo"? Para Piaget, é a necessidade do que tem que ser, é um equilíbrio social conquistado a partir da nossa tomada consciência coletiva, “indefinível a título de estrutura, mas implicado neste funcionamento"(JM, p. 323).
Essa tomada de consciência não nasce com o individuo nem depende de sua vontade: é uma necessidade para o sucesso da relação social, uma cooperação interessada. Para Piaget o desenvolvimento deste juízo moral consiste num conjunto de regras de controle usadas pela inteligência para dirigir a si mesma e aos outros e permite que o sujeito acabe por considerar como necessárias (ou obrigatórias) algumas regras e não outras. Os sentimentos do sagrado, de medo e de amor não precisam ser evocados para explicar a moral autônoma.
A pergunta central seria: Como devo agir? A resposta estará na moral construída pela sociedade. É inegável o papel da Razão nas condutas morais individuais para explicar porque tomamos decisões que contrariam a moral do grupo social e nos erguemos contra as regras. É um inconformismo precursor de certas idéias e condutas que, depois podem ser aceitas como certas pelo grupo. Ao resgatar o papel da Razão e da autonomia, Piaget nos fornece uma teoria para explicar um fenômeno moral raro, mas importante. Essa teoria vai ao encontro das características da sociedade democrática moderna que pede cooperação. Basta verificar suas exigências, levar em conta o ponto de vista alheio, respeitá-lo, fazer acordos, negociações, admitir e respeitar as diferenças individuais, conviver com a pluralidade de opiniões, de crenças, de credos etc. No mundo moderno, somos cada vez mais levados a ter de nos relacionar com pessoas de culturas diversas, de formação diversa, de religiões diversas. A "padronização" do comportamento é impossível. Como diz Piaget, a nova exigência é a de coordenar os diversos pontos de vista e diferenças e não mais de reduzi-los através de modelos a serem imitados por todos. Não vivemos mais num mundo onde dogmas (religiosos, em grande parte) davam uma unidade à sociedade. Nem vivermos num mundo perfeito: há, sem dúvida, uma crise moral, grandes e angustiantes dúvidas sobre o certo ou errado, abusos de toda espécie. Esse é o preço da democracia, Daí a importância de integrar a relação social de cooperação a sua teoria moral.
Mas basta achar racionalmente correto uma determinada conduta para realizá-la? Encontramos aqui o eterno confronto entre afetividade e Razão. Na teoria piagetiana não assistimos uma luta entre afetividade e moral. A sociedade, de certa forma, salva o indivíduo de si mesmo com a educação moral, a coação, a disciplina. Nas análises piagetianas vemos afeto e moral se conjugarem em harmonia: o sujeito autônomo não é um "reprimido", mas sim um homem livre, convencido de que o respeito mútuo é bom e legítimo. Tal liberdade lhe vem de sua Razão, e sua afetividade "adere" espontaneamente as regras
Neste ponto - harmonia entre afetividade e Razão - a teoria de Piaget lembra a de Bergson10 (10. Henri Bergson. Les Deux Sources de la Religion. Paris, PUF, 1932). Para Bergson, a fonte da moral é a pressão e a aspiração. A pressão é para conservar a unidade da sociedade. A inspiração é o que permite à moral pôr-se em movimento e evoluir, é o que permite ao homem elevar-se acima de seu tempo e da organização social. Escreve ele que "entre a primeira moral e a segunda existe toda a distância que separa o repouso do movimento. A primeira é considerada imutável (...) mas a outra é um impulso, é uma exigência de movimento, ela é, em princípio, mobilidade" (Bergson, 1932, p. 56).
Bergson se inspira nas duas morais definidas por Piaget: coação e cooperação, produtora de novas normas; logo, em movimento, em progresso. A diferença é que para Bergson, o que preside a moral da inspiração é um sentimento, a emoção, o entusiasmo. Escreve ele: "Nenhuma especulação pode criar uma obrigação ou nada que se pareça como ela (...) mas se a atmosfera de emoção está presente, se eu a respirei, se a emoção me penetra, eu agirei segundo ela, levantado por ela. Não por coação ou necessidade, mas em virtude de uma inclinação à qual eu não vou querer resistir" (ibid., p. 45). Acrescenta ele que "não é da necessidade vazia de não se contradizer que se produzirá a obrigação moral (ibid., p. 65) e que "há emoções que são geradoras de pensamentos (ibid., p. 40). Para Piaget, pelo contrário, parece ser a necessidade racional a base para o sentimento de obrigatoriedade.
Bergsoniano na sua categorização da moral, Piaget permanece kantiano.
Do ponto de vista psicológico a pessoa tem uma moral, racionalmente fundada, que o faz julgar o que é incorreto porque trai a confiança mútua, inviabiliza qualquer relação de reciprocidade, desrespeita o outro etc, por isso aceita a sanção. A razão é condição necessária para avaliação do certo e o errado.
Kant afirmava ser misterioso (saber como uma lei, produto da Razão, pode ser princípio determinante da vontade) e permanece misterioso também na teoria de Piaget que nos explica que a participação da Razão não é dada, mas construída na convivência social. Assim ele nos esclarece a gênese da Razão, este "sentimento" de necessidade dela proveniente.
CONCLUSÃO
A Razão e sua moral devem e podem vencer não pelo desejo mas pela necessidade de cooperação. Durkheim e Bovet identificam uma só moral, e, coerentemente, um mesmo afeto. Piaget identifica duas morais: coação (medo e amor) e cooperação (necessidade, produto genuíno da Razão).
No campo moral o afeto dobra-se aos ditames da Razão e ali evolui, uma vez que Piaget nos mostra um ser autônomo e feliz, e não um indivíduo reprimido. Piaget fornece a condição necessária ao desenvolvimento da moral autônoma, mas não a condição suficiente. Ele mostra como a evolução da inteligência permite organizar na área moral o mundo afetivo; mas falta mostrar como a afetividade torna o respeito mútuo possível de ser seguido na prática. O estudo de Piaget deve ser completado por outros que se detivessem mais nos aspectos afetivos do problema. É o eterno sonho daqueles que procuram unir Piaget a Freud...
O PROBLEMA DA AFETIVIDADE EM VYGOTSKY
Marta Kohl de Oliveira
As dimensões cognitivas e afetivas do funcionamento psicológico têm sido tratadas, ao longo da história da psicologia como ciência, de forma separadas. Hoje percebe-se uma tendência de reunião desses dois aspectos, vendo o ser psicológico completo. Essa tendência parece assentar-se em uma necessidade teórica de superação de uma divisão artificial, a qual acaba fundamentando uma compreensão fragmentada do funcionamento psicológico.
No caso de Vygotsky, os aspectos mais difundidos e explorados de sua abordagem são referentes ao funcionamento cognitivo: a centralidade dos processos psicológicos superiores no funcionamento típico da espécie humana; o papel dos instrumentos e símbolos, culturalmente desenvolvidos e internalizados, no processo de mediação entre sujeito e objeto de conhecimento; as relações entre pensamento e linguagem; a importância; dos processos de ensino-aprendizagem na promoção do desenvolvimento; a questão dos processos metacognitivos.
Hoje Vygotsky poderia ser considerado um cognitivista, pois se preocupou com a investigação dos processos internos relacionados à aquisição, organização e uso do conhecimento e, especificamente, com sua dimensão simbólica. "Vygotsky usou o termo 'função mental' para referir-se a processos como pensamento, memória, percepção e atenção. Ele fez uma distinção básica entre 'funções mentais elementares', como atenção involuntária e memória lógica, e 'funções mentais superiores', mas na essência elas são inter-relacionadas com outras funções... os processos pelos quais o afeto e o intelecto se desenvolvem estão inteiramente enraizados em suas interrelações e influências mútuas" (Idem, p. 65).Encontramos nos termos usados por Vygotsky, um questionamento da divisão entre as dimensões cognitiva e afetiva do funcionamento psicológico e, conseqüentemente, um desafio à classificação de seu trabalho como sendo cognitivista. Há dois pressupostos em sua teoria que delineiam uma posição básica a respeito do lugar do afetivo no ser humano: a monista, que se opõe a qualquer cisão das dimensões humanas como corpo/alma, mente/alma, material/não-material e pensamento/linguagem. E uma abordagem holística, sistêmica, que se opõe ao estudo dos elementos isolados do todo, propondo a busca de unidades de análise que mantenham as propriedades da totalidade. Tanto o monismo como a abordagem globalizante buscam a pessoa como um todo, portanto, não separam afetivo e cognitivo como dimensões isoláveis.
Para Vygotsky um dos principais defeitos da psicologia tradicional é a separação entre os aspectos intelectuais e os afetivos. Para ele o pensamento tem sua origem na motivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esfera estaria a razão. Assim, uma compreensão completa do pensamento humano só é possível quando se compreende sua base afetivo. Ele escreveu diversos textos sobre questões ligadas a essa dimensão (emoção, vontade, imaginação, criatividade) e sobre a psicanálise. As idéias de Vygotsky a respeito do conceito de consciência são centrais em sua concepção das relações entre afeto e intelecto. Os aspectos de seu pensamento que tem ligação direta com a dimensão afetiva do funcionamento psicológico do homem.
CONSCIÊNCIA
“Para Vygotsky a noção de consciência não estava ligada à teoria psicanalítica, portanto, não está posta em contraste com inconsciente, pré-consciente ou temas semelhantes. Também não focaliza temas tradicionais do marxismo como consciência de classe ou falsa consciência.” (Wertsch, 1990,p. 64.)
A psicologia idealista tomava a consciência "estado interior" preexistente, uma realidade subjetiva primária. "Vygotsky argumentava que era passível evitar esse dilema concebendo a consciência como organização objetivamente observável do comportamento, que é imposta aos seres humanos através da participação em práticas sócio-culturais." (Wertsch, 1988,pp. 195-196). Sua fundamentação nos postulados marxistas é evidente: toma a dimensão social da consciência como essencial, sendo a dimensão individual derivada e secundária. Para Vygotsky "a internalização não e um processo de cópia da realidade externa num plano interior já existente; é, mais do que isso, um processo em cujo seio se desenvolve um plano interno da consciência" (Wertsch, 1988, p.83).
Ao refletir o mundo exterior, indiretamente, através da fala, que tem papel profundo na codificação e decodificação das informações, na regulamentação de seu próprio comportamento, o homem é capaz de executar a mais simples forma de reflexão da realidade e a mais alta forma de regulamentação de seu próprio comportamento. As impressões que tem do mundo exterior, são analisadas de acordo com o que aprendeu e mudam com cada estágio sucessivo do desenvolvimento psicológico. O homem é capaz de formular, comparar as ações que executou com suas intenções originais, e corrigir os erros cometidos. Desse ponto de vista, a consciência humana é resultado de atividade complexa. Ela representaria um salto qualitativo sendo o componente mais elevado na hierarquia das funções psicológicas humanas. Seria a própria essência da psique humana, constituída por uma inter-relação dinâmica, e em transformação ao longo do desenvolvimento, entre intelecto e afeto, controle dos próprios processos psicológicos, subjetividade e interação social.
SUBJETIVIDADE E INTERSUBJETIVIDADE
As funções psicológicas superiores, principal objeto do interesse de Vygotsky, referem-se a processos voluntários, ações conscientemente controladas, mecanismos intencionais. São funções humanas, que aparecem tardiamente no desenvolvimento do indivíduo, com maior grau de autonomia em relação aos fatores biológicos do desenvolvimento, sendo resultado da inserção do homem num determinado contexto sócio-histórico.
A internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade psicológica. São processos incorporados nesse sistema de comportamento e são culturalmente reconstituídos e desenvolvidos para formar uma nova entidade psicológica. "A internalização das atividades socialmente enraizadas e historicamente desenvolvidas constituem o aspecto característico da psicologia humana; é a base do salto qualitativo da psicologia animal para a psicologia humana" (Vygotsky, 1984, p. 65). Porém, "a cultura não é pensada por Vygotsky como um sistema estático ao qual o indivíduo se submete, mas como uma espécie de 'palco de negociações' em que seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados. (De La Taille et al. 1991). Ao tomar posse do material cultural, o indivíduo o torna seu, passando a usa-lo como instrumento pessoal de pensamento e ação no mundo. Neste sentido, o processo de internalização, que corresponde à formação da consciência, é também um processo de constituição da subjetividade a partir de situações de intersubjetividade. A passagem do nível interpsicológico para o nível intrapsicológico envolve, assim, relações interpessoais densas e não trocas mecânicas limitadas e um patamar meramente intelectual. Envolve também a construção de sujeitos absolutamente únicos, com trajetórias pessoais singulares e experiências particulares em sua relação com o mundo e, fundamentalmente, com as outras pessoas.
SENTIDO E SIGNIFICADO
A formação da consciência e a constituição da subjetividade levam a questão da mediação simbólica e a importância da linguagem no desenvolvimento psicológico do homem. Uma das idéias centrais de Vygotsky, é a idéia de que os processos mentais superiores são processos mediados por sistemas simbólicos, sendo a linguagem o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos. O significado tem lugar central nas análises sobre a linguagem. "O significado é componente essencial da palavra sendo, ao mesmo tempo, um ato de pensamento, na medida em que o significado de uma palavra já é, em si, uma generalização. Isto é, no significado da palavra é que o pensamento e a falta se unem em pensamento verbal. (...)" No significado está a unidade das duas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. Os significados vão propiciar a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real: um 'filtro' através do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. O significado é um componente indispensável (...) Mas, do ponto de vista da psicologia, o significado de cada palavra é uma generalização ou um conceito. E como as generalizações e os conceitos são inegavelmente atos de pensamento, podemos considerar o significado como um fenômeno do pensamento.' (Vygotsky, 1989,p. 104.)" (Oliveira, 1993.)
Na concepção de Vygotsky sobre o significado da palavra encontra-se uma clara conexão entre aspectos cognitivos e afetivos, o dito e o sentido no funcionamento psicológico. A palavra tem o significado objetivo e o sentido da palavra varia conforme a pessoa que a usa e o contexto em que é aplicada. Para um motorista a palavra carro significa trabalho; para o jovem significar forma de lazer; para um pedestre um sentido ameaçador... O sentido da palavra liga seu significado objetivo ao contexto de uso da língua e aos motivos afetivos e pessoais dos seus usuários. Relaciona-se com o fato de que a experiência individual é sempre mais complexa do que a generalização contida nos signos." (Oliveira, 1993). A linguagem sempre requer interpretação. "Para compreender a fala não basta entender as palavras, temos que compreender o seu pensamento e sua motivação. Nenhuma análise psicológica de um enunciado estará completa antes de se ter atingido esse plano" (Vygotsky, 1989, p. 130).
O DISCURSO INTERIOR
A construção do significado envolve a internalização da linguagem, um aspecto particularmente relevante. Na aquisição da linguagem a criança primeiro usa a comunicação gestual como forma de contato social, depois vai desenvolvendo a fala que passa a servir como instrumento de pensamento, de adaptação pessoal.
A forma internalizada da linguagem, chamada "discurso interior",dirige-se ao próprio sujeito e não a um interlocutor externo. Tem uma estrutura peculiar, diferente da fala exterior. É um diálogo consigo mesmo. Sua função é apoiar os processos psicológicos mais complexos: pensamento, auto-regulação, planejamento da ação, monitoração do próprio funcionamento afetivo. No plano interno da consciência, as várias dimensões do funcionamento psicológico se interagem. Embora muito importante para o pensamento o papel da linguagem interna refere-se à dimensão cognitiva do funcionamento psicológico. "As palavras desempenham um papel central não só no desenvolvimento do pensamento, mas também na evolução histórica da consciência como um todo. Uma palavra é um microcosmo da consciência humana." (Vygotsky, 1989, p. 132).
"Quando associado a uma tarefa que é importante para o indivíduo, quando associado a uma tarefa que, de certo modo, tem suas raízes no centro da personalidade do indivíduo, o pensamento realista dá vida a experiências emocionais muito mais significativas do que a imaginação ou o devaneio. Consideremos, por exemplo, o pensamento realista do revolucionário ao contemplar ou estudar uma situação política. Quando consideramos um ato de pensamento relativo à resolução de uma tarefa de importância vital para a personalidade, torna-se claro que as conexões entre o pensamento realista e as emoções são freqüentemente muito mais profundas, fortes, impulsionadoras e mais significativas do que as conexões entre as emoções e o devaneio." (Vygotsky, 1987, p. 348).
A TEORIA DA EMOÇÃO
A atividade emocional é complexa, paradoxal, social e biológica em sua natureza; realiza a transição entre o estado orgânico do ser e a sua etapa cognitiva, racional, que só pode ser atingida através da mediação cultural, isto é, social. A consciência afetiva é a forma pela qual o psiquismo se manifesta. Pelo vínculo imediato que instaura, ela garante o acesso ao universo, a cultura de seus pares.
Na psicogenética de Henry Wallon, a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Ambos se iniciam num período que ele denomina impulsivo-emocional e se estende ao longo do primeiro ano da vida. Neste momento a afetividade reduz-se praticamente às manifestações fisiológicas da emoção, que são o ponto de partida do psiquismo. A sua teoria da emoção, extremamente original, tem uma nítida inspiração darwinista: ela é vista como o instrumento de sobrevivência típico da espécie humana, que se caracteriza pela escassez da prole e pelo prolongado período de dependência. Se não fosse pela sua capacidade de mobilizar o ambiente para atender suas necessidades, o bebê pereceria. Seu choro atua de forma intensa sobre a mãe: esta função biológica dá origem a um dos traços característicos da expressão emocional. Assim a razão nasce da emoção. Constitui experiência corriqueira a perda de lucidez produzida pelos estados emocionais intensos; menos óbvia é a mutação (sublimação) que transforma emoção em ativação intelectual e assim a reduz. Esta posição da emoção ilustra o significado da afirmação walloniana de que o psiquismo é uma síntese entre o orgânico e o social: Sua natureza contraditória vem daí, do fato de participar de dois mundos e ter como função fazer a transição entre eles.
A teoria da emoção pode ser também genética para acompanhar as mudanças funcionais. Para Wallon é preciso considerar o fato de que, em sua origem, a conduta emocional depende de sua expressão involuntária e incontrolável. A emoção descontrolada corresponde a atuação do nível cerebral que esteja atuando, e seus efeitos se darão em uma ou outra direção. Assim pode-se compreender melhor as características da emoção. Analisando seus componentes fisiológicos, as alterações viscerais e metabólicas que a acompanham, Wallon encontra por trás delas flutuações do tônus muscular, seja o das próprias vísceras, seja da musculatura superficial. A toda alteração emocional correspondente uma flutuação tônica; modulação afetiva e modulação muscular. Aprofundando sua tese acerca do papel do tônus, Wallon classifica: emoções de natureza hipotônica, isto é, redutoras do tônus: susto e a depressão- Um medo súbito é capaz de dar instantaneamente ao corpo a consistência de um boneco de trapos. Outras emoções são hipertônicas, geradoras de tônus: cólera e a ansiedade, capazes de tornar pétrea a musculatura periférica. Onde se estabelece um fluxo tônico vem o caráter prazeiroso das situações afetivas, de tal sorte que ele se eleva e se escoa imediatamente em movimentos expressivos: alegria. A ativação ou redução da afetividade tem controles cerebrais, pode ser instigada ou reduzida por agentes químicos que atuem diretamente ali. Mantém relações de antagonismo com a atividade cognitiva: manter alguém em estado de ansiedade resulta em fracasso. Também são confusamente conhecidas, no nível empírico, os efeitos das massagens e do relaxamento. A análise walloniana põe três diferentes entradas para a obscura região em que se formam e reduzem as manifestações passionais; uma de natureza química, central; outra de tipo mecânico-muscular, periférica, e outra ainda de natureza abstrata, representacional.
CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO EMOCIONAL
O comportamento emocional tem função basicamente social. Esta característica não observada traz grave prejuízo para a compreensão dos processos interpessoais, especialmente das interações entre crianças e adultos. As crianças são essencialmente emotivas e contagiam emocionalmente os adultos. A ansiedade infantil, por exemplo, pode produzir angustia ou irritação no adulto. Resistir a esta forte tendência implica em conhecê-la para reverter o processo. No seu caráter social tem ainda a tendência em nutrir-se com a platéia. A manifestação da criança deixada a sós tende a extinguir rapidamente. A emoção traz consigo a tendência para reduzir a eficácia do funcionamento cognitivo. A qualidade final do comportamento dependerá da capacidade para retomar o controle da situação. Se for bem-sucedido, soluções inteligentes serão facilmente encontradas, e neste caso embora a emoção não desapareça, pelo menos se reduzirá. Quando não consegue transmutar-se em ação mental ou motora, isto é, quando permanece emoção pura, produz efeitos desorganizadores, imprevisível, anárquica, explosiva e por isso assustadora. No seu auge coincide com o período de imperícia máxima do ser, uma vez que ela tem por função supri-la, através da mobilização do outro. A emotividade é diretamente proporcional ao grau de inaptidão, de incompetência, de insuficiência de meios. Na vida adulta ela tende a surgir nas situações para as quais não se tem recursos, nas circunstâncias novas e difíceis. Se aproximarmos estas duas características, teremos um "circuito perverso" da emoção: surge nos momentos de incompetência, e devido ao seu antagonismo estrutural com a atividade racional, provoca ainda maior insuficiência. Na interação entre adultos e crianças, cuja temperatura emocional é mais elevada, os resultados do "circuito perverso" fazem-se sentir freqüentemente. A revolução orgânica provocada pela emoção concentra no próprio corpo a sensibilidade: ocupada com as próprias sensações viscerais, metabólicas, respiratórias, corporais, fica diminuída a acuidade da percepção do exterior. Uma forma confusa da sensibilidade apaga a percepção intelectual e analítica do exterior. A sensibilidade tem um nível afetivo e outro cognitivo, assim como a motricidade e a linguagem.
O caráter contagioso da emoção vem do fato de que ela é visível, abre-se através da mímica, gestos, expressão facial... As manifestações mais ruidosas do início da infância (choro, riso, bocejo, movimentos dos braços e das pernas) atenuam-se sem dúvida, porém a atividade tônica persiste, permitindo ao observador sensibilizado captá-la. Há uma comunicação forte e primitiva. Enquanto não for possível a articulação sofisticada e diferenciada, a emoção garantirá uma forma de solidariedade afetiva.
AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA
A elaboração do conhecimento depende da construção do sujeito nos quadros do desenvolvimento humano concreto. A afetividade não é apenas uma das dimensões da pessoa: ela é também a fase mais arcaica do desenvolvimento. O ser humano é um ser afetivo e racional. A reciprocidade entre os dois desenvolvimentos se mantém de tal forma que as aquisições de cada uma repercutem sobre a outra permanentemente. Ao longo do trajeto, elas alternam preponderâncias, e a afetividade reflui para dar espaço a intensa atividade cognitiva assim que a maturação põe em ação o equipamento sensório-motor necessário à exploração da realidade. A partir daí, a história da construção da pessoa será constituída por uma sucessão de momentos predominantemente afetivos ou cognitivos, não paralelos, mas integrados. Cada novo momento terá incorporado as aquisições feitas anteriormente.
Depois que a inteligência construiu a comunicação falada e escrita, alarga seu raio de ação. Se acrescenta ai o toque e a entonação da voz. Nasce então a exigência racional às relações afetivas: respeito recíproco, justiça, igualdade de direitos etc. Não atendê-las tende a ser percebido como desamor
A inteligência passa por fases de desenvolvimento assim como a afetividade. Na forma adulta aparece a sexualidade que se desenvolve à margem da racionalidade, num momento inicial de pura emoção que depois tende a se racionalizar. Ambos os processos são sociais, embora em sentidos diferentes: no primeiro, social é sinônimo de interpessoal; no segundo, é o equivalente de cultural.
AS ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DO EU
A construção do Eu mergulha suas raízes em uma etapa orgânica, que corresponde ao acabamento da embriogênese fora do útero materno. Durante os três primeiros meses, o recém-nascido dorme a maior parte do tempo, e responde a estímulos de natureza interna, às suas próprias sensações viscerais e posturais, muito mais do que a estímulos do ambiente externo. O bebe se ocupa primordialmente com seu "Eu" corporal e reage muito pouco aos objetos do mundo físico. O ponto de partida do longo desenvolvimento que conduzirá ao pensamento são os movimentos reflexos e os impulsivos. Os movimentos corporais são inoperantes. Quando há desconforto dá sinais interpretados como necessidade a ser atendida. Logo se tornam movimentos comunicativos. A mediação social está, pois, na base do desenvolvimento: ela é a característica de um ser que Wallon descreve como sendo "geneticamente social", radicalmente dependente dos outros seres para subsistir e se construir enquanto ser da mesma espécie. Em poucas semanas, em função das respostas do meio humano, os movimentos impulsivos se tornam movimentos expressivos: a partir daí, até o final do primeiro ano, o principal tipo de relação que o bebê manterá com o ambiente será de natureza afetiva: é um período emocional. Neste curso, o que interessa à relação social, e por conseguinte à atividade cognitiva, como os estímulos auditivos e visuais, despertam, com reações exploratórias e afetivas: alegria, surpresa, medo. Daí a afirmação walloniana de que a inteligência não se desassocia da afetividade, cuja conseqüência inevitável é que, neste momento, estimular a primeira equivale a nutrir a segunda. O bebê se comunica com a mãe através de toques, carícias, contatos visuais, voz em seus aspectos mais elementares: melodia, ritmo, altura, modulação. A presença humana é o mais poderoso estimulante. Objetos oferecidos por pessoas têm muito maior probabilidade de produzir interesse. Movimentos e vozes humanas são um espetáculo mais atraente do que os fenômenos do mundo físico. A maturação das possibilidades da visão, audição, sensorial e motora acelera este quadro na medida em que explora o meio. Deslocar-se com autonomia completa a competência necessária e configura-se uma nova fase. Agora há um intenso interesse pela realidade externa e se manifesta pela atividade exploratória imoderada. Sensório-motor é a denominação que Wallon atribui a este período.
Entre o segundo e o quarto ano, há uma aproximação entre sensório-motor e simbólico. Em rápida sucessão, instalam-se duas possibilidades diferentes de lidar com o real: a maneira direta, instrumental e a maneira simbólica, onde o objeto não é o que é e sim o que significa. A dissociação entre significante e significado introduz uma nova dimensão na gestualidade, para a qual Wallon cunhou a expressão "ideomovimento".
Quase ao mesmo tempo em que se torna apta a atuar por si mesma sobre a realidade, a criança, graças a sua condição de herdeira da cultura, torna-se também capaz de transcendê-la. A partir daí, a história do desenvolvimento da sua inteligência será também a história da superação do aqui e agora, no qual se incluem os seus próprios estados afetivos momentâneos. O antagonismo existente entre o ato motor e o ato mental opera iniciando a lenta inibição (sinônimo de interiorização) da motricidade; a denominação "sensório motor/projetivo" indica a proximidade entre uma forma de lidar com a realidade e aquela outra que a reduzirá. A intensa atividade cognitiva desta fase dá lugar a uma igualmente intensa atividade de construção de si. O primeiro período tinha realizado um esboço de recorte corporal. A exploração sistemática dos próprios limites, a surpresa na descoberta de pés e mãos prosseguirá na etapa seguinte, com tomada de posse da própria imagem ao espelho. Conhecer-se de fora para dentro, instrumentada pela função simbólica, a percepção de si poderá transformar-se em "consciência de si" ampliando-se na direção do passado e do futuro. A tarefa evolutiva passa a ser essa, e ela corresponde a trazer para o plano da pessoa uma conquista que é da ordem da inteligência. Tal elaboração se faz pela interação. A simbiose fetal, prolongada na simbiose alimentar e afetiva do lactante, precisa ser rompida para dar lugar a uma individualidade diferenciada. É necessária uma ruptura, que assume um caráter muitas vezes explosivo. O conflito faz parte do desenvolvimento normal, desempenha uma função ativadora. A construção do Eu de um processo condenado ao inacabamento: persistirá sempre, dentro de cada um, o que Wallon chama de "fantasma do outro", de sub-eu (_sous-moi).
Controlado, domesticado normalmente, o "outro" pode irromper nas patologias, oferecendo o quadro das personalidades divididas. Mesmo dentro da normalidade, estados passionais momentâneos, cansaço, intoxicação, podem borrar as fronteiras precárias que separam o mundo interno do externo. É este drama que ocupa dominantemente o quarto, o quinto e o sexto ano, numa sucessão de manifestações que vão desde a rebeldia e o negativismo em estado quase puro, à sedução do outro e depois à sua imitação. O eu ainda frágil precisa da admiração alheia para completar a sua construção, e assim oferece-se em espetáculo. Depois, usa o outro que negou ferozmente há pouco como modelo para a ampliação das próprias competências. É inevitável a tentação de aproximar esta descrição daquela que a psicanálise faz do drama edipiano. Conflito, sedução, identificação, os mesmos elementos, mais ou menos na mesma época, estão presentes, mas de forma laicizada. Eles dão colorido à relação com os outros em geral, e não apenas com a figura paterna. Esta sucessão de predominâncias corresponde a uma seqüência de necessidades a serem atendidas; fica bem claro, embora apenas implícito na teoria, o que cabe à educação em cada um dos seus momentos. A satisfação das necessidades orgânicas e afetivas, a oportunidade para a manipulação da realidade e a estimulação da função simbólica, depois a construção de si mesmo. Esta exige espaço para todo tipo de manifestação expressiva: plástica, verbal, dramática, escrita, direta ou indireta, através de personagens suscetíveis de provocar identificação.
A superação do sincretismo da pessoa poderá então ser transposta para o plano da inteligência e permitir a gradual superação do sincretismo do pensamento. A diferenciação dos pontos de vista supõe a diferenciação das pessoas: um certo nível de evolução da pessoa é condição essencial para o progresso da inteligência. Mas não é condição única: Ambos, na realidade, dependem de acontecimentos que ocorrem nos níveis do psiquismo: o biológico e o social. É preciso que a maturação cerebral possibilite a saúde do organismo quanto a estimulação ambiental.
No plano social, é necessária não só a interação, mas também a transmissão de conhecimentos. O refinamento das diferenciações conceituais depende tanto das possibilidades intelectuais de cada um quanto do grau de elaboração atingido pela cultura. Em função destes determinantes a inteligência prosseguirá a sua tarefa de introduzir acordo com as coisas e consigo mesma. O confronto é fator de ativação do pensamento. Diferenciação e integração, análise e síntese, relações articuladas entre idéias e coisas, substituirão o sincretismo.
É preciso reinstalar-se dentro do próprio corpo, conviver com seus apelos novos para novas definições do Eu. A pessoa se abre para dimensões ideológicas, políticas, metafísicas, éticas, religiosas, que precisa preencher. Se a interpretação walloniana da adolescência estiver correta, o interesse teórico do jovem estará longe de ser impessoal e abstrato. Pelo contrário, um caso pessoal, passional mesmo, onde a grande questão é descobrir de que lado ele próprio estará. A ampliação se dá também na dimensão temporal: agora o futuro tem tanta importância para defini-lo quanto tinha o passado para definir a criança. Desde a etapa anterior a personalidade vinha se tornando capaz de assumir diferentes funções e ocupar diferentes posições nos vários grupos, o que agora se reforça e se amplia, confrontando o jovem com tarefa imposta por toda a diferenciação: realizar a integração complementar, sob pena de desintegrar-se. Manter um eu diferenciado e ao mesmo tempo integrado, não é simples: requer toda a extensão da inteligência.
INTELIGÊNCIA E PESSOA
Nesta vinculação está uma das mais belas intuições da teoria walloniana: a de que a sofisticação dos recursos intelectuais é utizável na elaboração de personalidades ricas e originais. Neste sentido, a construção do objeto está a serviço da construção do sujeito. O produto último da elaboração de uma inteligência, concreta, pessoal, corporificada em alguém, é uma pessoa. A construção da pessoa é uma autoconstrução. O processo que começou pela simbiose fetal se transforma na individualização que vai de um tipo de sociabilidade a outro, através da socialização. Não há nada mais social do que o processo através do qual o indivíduo se singulariza, constrói a sua unicidade. O vínculo afetivo supre a insuficiência da inteligência no início, cria os elos necessários à ação coletiva. Com o passar do tempo, a esta forma primitiva se acrescenta a outra, mas, em todos os momentos o ser humano dispõe de recursos para associar-se aos seus semelhantes. A idéia da construção da unicidade é luminosa. A apreensão de si mesmo parece tão fugaz quanto uma bolha de sabão, ameaçada pelas simbioses afetivas, pelos estados pessoais de emoção ou mesmo de mero cansaço.
O QUE É MAIS SIGNIFICATIVO NO TEXTO
O texto busca construir, por meio da reunião de informações nos trabalhos de vários autores, uma compreensão a respeito da afetividade nas relações sociais, do conhecimento, do funcionamento psicológico e desenvolvimento do ser humano. Destaca-se como uma constante a importância das conexões, profundas, entre as dimensões de desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e do funcionamento psicológico do homem. A exploração do lugar do afetivo torna-se particularmente interessante pelo fato de propor uma abordagem unificadora das dimensões humanas e seu funcionamento que muito se aproxima da realidade vivida por nós, na sala de aula e na vida.
BLIBLIOGRAFIA
A Afetividade e a Construção do Sujeito na Psicogenética de Wallon Heloysa Dantas
PSICOLOGIA NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Discente – Maria Ângela Afonso Pereira
Mapa Informacional do Texto
A resenha foi feito a partir do texto foi baixado da internet no site do www.4shared.com AFETIVIDADE E COGNIÇÃO
DESENVOLVIMENTO DO INTELIGÊNCIA E AFETIVIDADE NA TEORIA DE JEAN PIAGET
Analisando as concepções sobre o tema noto que a inteligência e afetividade se articulam e se confrontam, e suas características convivem entre si. Para entender essa relação, analiso o estudo de Jean Piaget sobre a inteligência humana. Inspirado na definição de que a moral é um sistema de regras e a essência de toda moralidade está no respeito que o indivíduo adquire por estas regras, que podem ser herdadas, culturalmente, ou modificadas de acordo com o ambiente em que o indivíduo for posto não como um comportamento imposto mas como normas de relacionamento e respeito entre os indivíduos. A modificação das regras se faz necessária quando a pessoa quer participar das atividades coletivas evitando o máximo de atrito entre si.
Piaget formulou a hipótese de que o desenvolvimento da inteligência na infância é baseado em deveres morais, impostos por adultos, que ela deve seguir para sucesso de sua socialização. Quando desrespeitados encontrará problemas na relação com o outro. Para comprovar esta hipótese, Piaget investigou a atuação julgadora da criança com relação ao dano material, a mentira e o roubo. O resultado desta atividade confirma a existência de uma fase de heteronomia no desenvolvimento do juízo moral traduzida no realismo moral. As normas morais não são elaboradas, ou reelaboradas pela consciência. Não são entendidas a partir de sua função social. Há uma concepção objetiva da responsabilidade, ou seja, julga-se pelas conseqüências dos atos e não pela intenção daqueles que agiram. A superação deste realismo moral. Piaget termina suas pesquisa sobre o estudo da moralidade infantil analisando como a “justiça”. Como deve-se avaliar, interpretar um comportamento nas diversas situações sociais respeitando as condições particulares de cada um. A noção de justiça envolve responsabilidade, igualdade, autoridade, idéias de proporção, peso, compensação, equilíbrio. É a mais racional de todas as noções morais, por isso mesmo a mais confundida pela criança. Elas acreditam que toda infração será castigada, quer seja pela ação de outra pessoa, pela natureza, por imposição divina e quanto mais duro o castigo, mais justo ele é e se foi decretada por um adulto é porque é "justa" e deve ser obedecida. Elas podem até achar alguma sanção injustiça, mas tem certeza que deve ser obedecida.
Piaget conclui com a idéia de duas morais na criança e os tipos de relações sociais e procura explicar as razões pelas quais o desenvolvimento moral da criança recebe uma lei que se deve submeter (heteronomia) e depois passa a alcançar autonomia.
Piaget propõe sua própria teoria, vez que a psicologia não se propos a mostrar que o desenvolvimento seja dado de antemão pela própria "natureza humana", mas seus argumentos limitam-se a ir de encontro àqueles que o reduzem à mera interiorização, por parte da criança, de idéias e padrões de conduta impostos pela sociedade.
AS DUAS MORAIS DA CRIANÇA E OS TIPOS DE RELAÇÕES SOCIAIS
Para Durkheim o desenvolvimento intelectual e moral decorre de uma interiorização, pela criança, da cultura vigente. Para Piaget o sujeito participa ativamente de seu desenvolvimento moral e intelectual e a autonomia do indivíduo perante a sociedade é postulada e defendida. Piaget discute com Émile Durkheim e Pierre Bovet a respeito da moral (Sociologie_et_Philosophie (Paris, PUF, 1974a e L'Éducation_Morale-Paris, PUF, 1974b) “Todo ato moral envolve obrigatoriamente dois aspectos: o dever e o bem. O dever corresponde ao sentimento de obrigatoriedade ante uma regra moral, e que nos faz a ela obedecer: "Assim, há regras que apresentam esta característica particular: não realizamos certos atos por ela proibidos simplesmente porque elas o proíbem. É o que chamamos de caráter obrigatório da regra moral.” (1974a, p. 61). Durkheim reconhece o dever como um fim em si mesmo, como Kant, mas separa radicalmente Razão e Sensibilidade. Não concorda que o respeito as regras tenha ligação com as emoções mas exclusivamente com a Razão. "Perseguir um fim que nos deixa frios, que não nos parece bom, que não toca nossa sensibilidade, é psicologicamente impossível", escreve Durkheim (ibid, p. 62). Assim, além da obrigatoriedade, toda regra moral tem que ser boa e não imposta para ser obedecida. O dever e o bem devem ser pensadas em conjunto. No entanto, Durkheim reconhece que imposição e desejo pode ser uma contradição.
Para Durkheim, a sociedade é o que melhor representa uma coisa imposta e desejada ao mesmo tempo, porque ela protege a convivência social regulando o comportamento e conservando o respeito entre todos. É uma realidade que pensa no coletivo e nos ultrapassa (...) “Ao mesmo tempo que nos ultrapassa está dentro de nós, já que não pode viver a não ser em nós e por nós”. (ibid. p. 73-74). Continuamos tendo autonomia moral mesmo obedecendo as regras sociais, pois elas nos são uteis. Por isso elas são passadas de geração a geração com algumas atualizações essenciais e sua transgressão deve ser punida.
Piaget concorda com Durkheim que a moral é um fato social, portanto, uma consciência individual não seria capaz de elaborar e respeitar regras morais. Para ele não existe o Indivíduo, pensado como unidade isolada, mas relações sociais, diferentes entre si produzindo efeitos psicológicos diversos. Piaget divide as relações interindividuais em duas grandes categorias: a coação e a cooperação. A coação não deve ser entendida como uma tirania exercida por uma pessoa ou por uma instituição. Um bom exemplo de relação social de coação é dado pela família: os pais impoem regras por proteção e carinho. As relações de cooperação (co-operação, Piaget escrevia para sublinhar a etimologia do termo) são regidas pela reciprocidade, respeito, autonomia, acordo. Com a cooperação pode-se compreender o ponto de vista alheio e assim desenvolver-se intelectual e moralmente. Piaget nega a unidade dos fatos morais (fala em duas morais, a da coação e a da cooperação), e afirma que noções de dever e do bem têm origens e gêneses diferentes: a gênese do sentimento de obrigatoriedade, portanto do dever, estão na coação; o bem, por sua vez, é um produto da cooperação.
Piaget aproveita da teoria de Durkheim a explicação para a gênese da noção de dever: "Parece-nos incontestável não somente que o conjunto dos deveres numa sociedade dada está ligado à estrutura desta sociedade, mas ainda que a forma mesma do dever (o sentimento de obrigação) está ligada à coação exercida pela sociedade sobre os indivíduos" (JM, p. 280).
O estudo feito por Piaget confirmam isto: no início do desenvolvimento moral, quando a criança ainda está submetida a uma relação de coação, tudo é dever e obediência e em algumas pessoas, assim permanece a vida toda - alguns adultos so conseguem raciocinar moralmente a partir de um conjunto de regras estabelecidas socialmente. Resumindo, as relações de coação explicam a dominância da noção do dever, assim, essas relações sobre moral preconizadas por Durkheim, são condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento moral sem perder de vista a necessidade de uma "moral comum". Para Piaget, somente as relações de cooperação possibilitam tal evolução. A coação dá o modelo a seguir, a cooperação dá o método, a forma. É preciso autonomia para uma superação do realismo moral para que haja respeito mútuo e não só obediência e justiça. Escreve ele: “o respeito unilateral, que é a fonte da consciência do dever, consiste em uma combinação _sui _generis de medo e amor, a qual implica por conseguinte um elemento de 'desejabilidade'. Mas a recíproca não é verdadeira: há ações boas sem elemento de obrigação." (JM, p. 281).
O equilíbrio social não se dá pela padronização dos comportamentos, mas sim pela coordenação das diferenças existentes. "Neste caso, cada perspectiva individual pode ser diferente das outras, e mesmo assim ser adequada e não comprometer a coerência do conjunto" (JM, p. 282). Está assim garantida a autonomia e a "moral comum", esta última, em constante modificação.
A justiça, inicialmente vista como tradição, autoridade, passa e usar critérios da igualdade e da equidade para julgar cada caso.
Piaget concorda com a afirmação de Durkheim que a educação moral se dá a todo instante na participação social da criança. Mas discorda quando é afirmado que somente a imposição da autoridade, a apresentação de modelos possibilitam o desenvolvimento moral. Para Piaget, tal método coercitivo é inevitável e necessário no início da educação moral, mas se permanecer exclusivo vai encurralar a criança na heteronomia. Para conquistar a autonomia, é preciso respeitar e aproveitar as relações de cooperação que espontaneamente nascem das relações entre crianças.
Com relação as idéias de Bovet, Piaget também acha que o desenvolvimento moral se dá inicialmente pelo respeito da criança ao adulto, nas relações entre as pessoas. Quanto mais se relaciona socialmente aumenta a noção de moral, dever coletivo. Em resumo, a teoria de Bovet, como a de Durkheim, é correta para explicar o início do desenvolvimento moral da criança, mas erra quando confunde duas morais, a da coação e da cooperação. Somente a última permite a autonomia necessária à construção e consolidação do mundo democrático.
AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA NA TEORIA PIAGETIANA DO DESENVOLVIMENTO DO JUÍZO MORAL
Analisando as implicações da teoria piagetiana na relação entre cognição e afeto os estudos de Piaget notaram que o juízo moral se desenvolve passando por uma fase de heteronomia antes de alcançar a autonomia, mas a respeito da moral, fala-se sobre justiça social, democracia etc, mas separam frequentemente a ação e juízo: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Piaget elabora uma teoria que mostra que na ação moral se confrontam afetividade e Razão.
Analisando a afetividade e a razão, vemos que a educação moral objetiva faz com que sentimentos e desejos sejam controlados, em prol da sociedade. Durkheim mostra que o espírito de disciplina é a base de toda moral e a Razão é a ponderação do que é certo ou errado, do que é bom ou ruim, do que é justo ou injusto, são seus ditames que orientam a ação. Não há domínio da Razão, nem conflito entre as partes: ela está junto com afetividade, se complementando. Age-se moralmente, guiado pela Razão e movido pelo sentimento. Durkheim e Kant reconhecem que a Razão estabelece deveres, na hora de conter um forte desejo. Mas, contra Kant, afirma que não pode haver ação só pela razão, sem algum afeto mais forte. Para Bovet o respeito pela regra moral é um misto de amor e medo.
A afetividade gera as ações, é sua "energia"e a Razão está a seu serviço. O desenvolvimento da inteligência permite que a motivação seja despertada mas o princípio básico é o mesmo: Na área moral, a noção de interesse é mais problemática, pois agimos contra nossos interesses: Quero uma coisa mas contenho-me porque não é correto roubar. Se não roubo por medo da prisão, sigo um interesse pessoal. O comportamento está correto, mas não é moral. Não pode haver interesse próprio pra avaliar uma ação moral. A norma deve ser seguida por ser boa, não porque interessante. Mas será possível agir apenas em função de uma avaliação racional? Será a Razão uma força psicológica? Para kant: "o respeito pela lei moral é um sentimento produzido por um princípio intelectual, e este sentimento é o único que conhecemos perfeitamente a priori, e do qual podemos perceber a necessidade" (ibid., p. 77).
Piaget concorda com Durkheim e Bovet que o início do desenvolvimento moral, o respeito as regras morais é inspirado pelos sentimentos de medo, amor, sagrado. No entanto, esses sentimentos desaparecem da moral da autonomia quando o respeito unilateral é substituído pelo respeito mútuo. Mas o que faz alguém agir por respeito mútuo? Será o medo do outro, o amor, a visão da sociedade entendida como "ser coletivo"? Para Piaget, é a necessidade do que tem que ser, é um equilíbrio social conquistado a partir da nossa tomada consciência coletiva, “indefinível a título de estrutura, mas implicado neste funcionamento"(JM, p. 323).
Essa tomada de consciência não nasce com o individuo nem depende de sua vontade: é uma necessidade para o sucesso da relação social, uma cooperação interessada. Para Piaget o desenvolvimento deste juízo moral consiste num conjunto de regras de controle usadas pela inteligência para dirigir a si mesma e aos outros e permite que o sujeito acabe por considerar como necessárias (ou obrigatórias) algumas regras e não outras. Os sentimentos do sagrado, de medo e de amor não precisam ser evocados para explicar a moral autônoma.
A pergunta central seria: Como devo agir? A resposta estará na moral construída pela sociedade. É inegável o papel da Razão nas condutas morais individuais para explicar porque tomamos decisões que contrariam a moral do grupo social e nos erguemos contra as regras. É um inconformismo precursor de certas idéias e condutas que, depois podem ser aceitas como certas pelo grupo. Ao resgatar o papel da Razão e da autonomia, Piaget nos fornece uma teoria para explicar um fenômeno moral raro, mas importante. Essa teoria vai ao encontro das características da sociedade democrática moderna que pede cooperação. Basta verificar suas exigências, levar em conta o ponto de vista alheio, respeitá-lo, fazer acordos, negociações, admitir e respeitar as diferenças individuais, conviver com a pluralidade de opiniões, de crenças, de credos etc. No mundo moderno, somos cada vez mais levados a ter de nos relacionar com pessoas de culturas diversas, de formação diversa, de religiões diversas. A "padronização" do comportamento é impossível. Como diz Piaget, a nova exigência é a de coordenar os diversos pontos de vista e diferenças e não mais de reduzi-los através de modelos a serem imitados por todos. Não vivemos mais num mundo onde dogmas (religiosos, em grande parte) davam uma unidade à sociedade. Nem vivermos num mundo perfeito: há, sem dúvida, uma crise moral, grandes e angustiantes dúvidas sobre o certo ou errado, abusos de toda espécie. Esse é o preço da democracia, Daí a importância de integrar a relação social de cooperação a sua teoria moral.
Mas basta achar racionalmente correto uma determinada conduta para realizá-la? Encontramos aqui o eterno confronto entre afetividade e Razão. Na teoria piagetiana não assistimos uma luta entre afetividade e moral. A sociedade, de certa forma, salva o indivíduo de si mesmo com a educação moral, a coação, a disciplina. Nas análises piagetianas vemos afeto e moral se conjugarem em harmonia: o sujeito autônomo não é um "reprimido", mas sim um homem livre, convencido de que o respeito mútuo é bom e legítimo. Tal liberdade lhe vem de sua Razão, e sua afetividade "adere" espontaneamente as regras
Neste ponto - harmonia entre afetividade e Razão - a teoria de Piaget lembra a de Bergson10 (10. Henri Bergson. Les Deux Sources de la Religion. Paris, PUF, 1932). Para Bergson, a fonte da moral é a pressão e a aspiração. A pressão é para conservar a unidade da sociedade. A inspiração é o que permite à moral pôr-se em movimento e evoluir, é o que permite ao homem elevar-se acima de seu tempo e da organização social. Escreve ele que "entre a primeira moral e a segunda existe toda a distância que separa o repouso do movimento. A primeira é considerada imutável (...) mas a outra é um impulso, é uma exigência de movimento, ela é, em princípio, mobilidade" (Bergson, 1932, p. 56).
Bergson se inspira nas duas morais definidas por Piaget: coação e cooperação, produtora de novas normas; logo, em movimento, em progresso. A diferença é que para Bergson, o que preside a moral da inspiração é um sentimento, a emoção, o entusiasmo. Escreve ele: "Nenhuma especulação pode criar uma obrigação ou nada que se pareça como ela (...) mas se a atmosfera de emoção está presente, se eu a respirei, se a emoção me penetra, eu agirei segundo ela, levantado por ela. Não por coação ou necessidade, mas em virtude de uma inclinação à qual eu não vou querer resistir" (ibid., p. 45). Acrescenta ele que "não é da necessidade vazia de não se contradizer que se produzirá a obrigação moral (ibid., p. 65) e que "há emoções que são geradoras de pensamentos (ibid., p. 40). Para Piaget, pelo contrário, parece ser a necessidade racional a base para o sentimento de obrigatoriedade.
Bergsoniano na sua categorização da moral, Piaget permanece kantiano.
Do ponto de vista psicológico a pessoa tem uma moral, racionalmente fundada, que o faz julgar o que é incorreto porque trai a confiança mútua, inviabiliza qualquer relação de reciprocidade, desrespeita o outro etc, por isso aceita a sanção. A razão é condição necessária para avaliação do certo e o errado.
Kant afirmava ser misterioso (saber como uma lei, produto da Razão, pode ser princípio determinante da vontade) e permanece misterioso também na teoria de Piaget que nos explica que a participação da Razão não é dada, mas construída na convivência social. Assim ele nos esclarece a gênese da Razão, este "sentimento" de necessidade dela proveniente.
CONCLUSÃO
A Razão e sua moral devem e podem vencer não pelo desejo mas pela necessidade de cooperação. Durkheim e Bovet identificam uma só moral, e, coerentemente, um mesmo afeto. Piaget identifica duas morais: coação (medo e amor) e cooperação (necessidade, produto genuíno da Razão).
No campo moral o afeto dobra-se aos ditames da Razão e ali evolui, uma vez que Piaget nos mostra um ser autônomo e feliz, e não um indivíduo reprimido. Piaget fornece a condição necessária ao desenvolvimento da moral autônoma, mas não a condição suficiente. Ele mostra como a evolução da inteligência permite organizar na área moral o mundo afetivo; mas falta mostrar como a afetividade torna o respeito mútuo possível de ser seguido na prática. O estudo de Piaget deve ser completado por outros que se detivessem mais nos aspectos afetivos do problema. É o eterno sonho daqueles que procuram unir Piaget a Freud...
O PROBLEMA DA AFETIVIDADE EM VYGOTSKY
Marta Kohl de Oliveira
As dimensões cognitivas e afetivas do funcionamento psicológico têm sido tratadas, ao longo da história da psicologia como ciência, de forma separadas. Hoje percebe-se uma tendência de reunião desses dois aspectos, vendo o ser psicológico completo. Essa tendência parece assentar-se em uma necessidade teórica de superação de uma divisão artificial, a qual acaba fundamentando uma compreensão fragmentada do funcionamento psicológico.
No caso de Vygotsky, os aspectos mais difundidos e explorados de sua abordagem são referentes ao funcionamento cognitivo: a centralidade dos processos psicológicos superiores no funcionamento típico da espécie humana; o papel dos instrumentos e símbolos, culturalmente desenvolvidos e internalizados, no processo de mediação entre sujeito e objeto de conhecimento; as relações entre pensamento e linguagem; a importância; dos processos de ensino-aprendizagem na promoção do desenvolvimento; a questão dos processos metacognitivos.
Hoje Vygotsky poderia ser considerado um cognitivista, pois se preocupou com a investigação dos processos internos relacionados à aquisição, organização e uso do conhecimento e, especificamente, com sua dimensão simbólica. "Vygotsky usou o termo 'função mental' para referir-se a processos como pensamento, memória, percepção e atenção. Ele fez uma distinção básica entre 'funções mentais elementares', como atenção involuntária e memória lógica, e 'funções mentais superiores', mas na essência elas são inter-relacionadas com outras funções... os processos pelos quais o afeto e o intelecto se desenvolvem estão inteiramente enraizados em suas interrelações e influências mútuas" (Idem, p. 65).Encontramos nos termos usados por Vygotsky, um questionamento da divisão entre as dimensões cognitiva e afetiva do funcionamento psicológico e, conseqüentemente, um desafio à classificação de seu trabalho como sendo cognitivista. Há dois pressupostos em sua teoria que delineiam uma posição básica a respeito do lugar do afetivo no ser humano: a monista, que se opõe a qualquer cisão das dimensões humanas como corpo/alma, mente/alma, material/não-material e pensamento/linguagem. E uma abordagem holística, sistêmica, que se opõe ao estudo dos elementos isolados do todo, propondo a busca de unidades de análise que mantenham as propriedades da totalidade. Tanto o monismo como a abordagem globalizante buscam a pessoa como um todo, portanto, não separam afetivo e cognitivo como dimensões isoláveis.
Para Vygotsky um dos principais defeitos da psicologia tradicional é a separação entre os aspectos intelectuais e os afetivos. Para ele o pensamento tem sua origem na motivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esfera estaria a razão. Assim, uma compreensão completa do pensamento humano só é possível quando se compreende sua base afetivo. Ele escreveu diversos textos sobre questões ligadas a essa dimensão (emoção, vontade, imaginação, criatividade) e sobre a psicanálise. As idéias de Vygotsky a respeito do conceito de consciência são centrais em sua concepção das relações entre afeto e intelecto. Os aspectos de seu pensamento que tem ligação direta com a dimensão afetiva do funcionamento psicológico do homem.
CONSCIÊNCIA
“Para Vygotsky a noção de consciência não estava ligada à teoria psicanalítica, portanto, não está posta em contraste com inconsciente, pré-consciente ou temas semelhantes. Também não focaliza temas tradicionais do marxismo como consciência de classe ou falsa consciência.” (Wertsch, 1990,p. 64.)
A psicologia idealista tomava a consciência "estado interior" preexistente, uma realidade subjetiva primária. "Vygotsky argumentava que era passível evitar esse dilema concebendo a consciência como organização objetivamente observável do comportamento, que é imposta aos seres humanos através da participação em práticas sócio-culturais." (Wertsch, 1988,pp. 195-196). Sua fundamentação nos postulados marxistas é evidente: toma a dimensão social da consciência como essencial, sendo a dimensão individual derivada e secundária. Para Vygotsky "a internalização não e um processo de cópia da realidade externa num plano interior já existente; é, mais do que isso, um processo em cujo seio se desenvolve um plano interno da consciência" (Wertsch, 1988, p.83).
Ao refletir o mundo exterior, indiretamente, através da fala, que tem papel profundo na codificação e decodificação das informações, na regulamentação de seu próprio comportamento, o homem é capaz de executar a mais simples forma de reflexão da realidade e a mais alta forma de regulamentação de seu próprio comportamento. As impressões que tem do mundo exterior, são analisadas de acordo com o que aprendeu e mudam com cada estágio sucessivo do desenvolvimento psicológico. O homem é capaz de formular, comparar as ações que executou com suas intenções originais, e corrigir os erros cometidos. Desse ponto de vista, a consciência humana é resultado de atividade complexa. Ela representaria um salto qualitativo sendo o componente mais elevado na hierarquia das funções psicológicas humanas. Seria a própria essência da psique humana, constituída por uma inter-relação dinâmica, e em transformação ao longo do desenvolvimento, entre intelecto e afeto, controle dos próprios processos psicológicos, subjetividade e interação social.
SUBJETIVIDADE E INTERSUBJETIVIDADE
As funções psicológicas superiores, principal objeto do interesse de Vygotsky, referem-se a processos voluntários, ações conscientemente controladas, mecanismos intencionais. São funções humanas, que aparecem tardiamente no desenvolvimento do indivíduo, com maior grau de autonomia em relação aos fatores biológicos do desenvolvimento, sendo resultado da inserção do homem num determinado contexto sócio-histórico.
A internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade psicológica. São processos incorporados nesse sistema de comportamento e são culturalmente reconstituídos e desenvolvidos para formar uma nova entidade psicológica. "A internalização das atividades socialmente enraizadas e historicamente desenvolvidas constituem o aspecto característico da psicologia humana; é a base do salto qualitativo da psicologia animal para a psicologia humana" (Vygotsky, 1984, p. 65). Porém, "a cultura não é pensada por Vygotsky como um sistema estático ao qual o indivíduo se submete, mas como uma espécie de 'palco de negociações' em que seus membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados. (De La Taille et al. 1991). Ao tomar posse do material cultural, o indivíduo o torna seu, passando a usa-lo como instrumento pessoal de pensamento e ação no mundo. Neste sentido, o processo de internalização, que corresponde à formação da consciência, é também um processo de constituição da subjetividade a partir de situações de intersubjetividade. A passagem do nível interpsicológico para o nível intrapsicológico envolve, assim, relações interpessoais densas e não trocas mecânicas limitadas e um patamar meramente intelectual. Envolve também a construção de sujeitos absolutamente únicos, com trajetórias pessoais singulares e experiências particulares em sua relação com o mundo e, fundamentalmente, com as outras pessoas.
SENTIDO E SIGNIFICADO
A formação da consciência e a constituição da subjetividade levam a questão da mediação simbólica e a importância da linguagem no desenvolvimento psicológico do homem. Uma das idéias centrais de Vygotsky, é a idéia de que os processos mentais superiores são processos mediados por sistemas simbólicos, sendo a linguagem o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos. O significado tem lugar central nas análises sobre a linguagem. "O significado é componente essencial da palavra sendo, ao mesmo tempo, um ato de pensamento, na medida em que o significado de uma palavra já é, em si, uma generalização. Isto é, no significado da palavra é que o pensamento e a falta se unem em pensamento verbal. (...)" No significado está a unidade das duas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. Os significados vão propiciar a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real: um 'filtro' através do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. O significado é um componente indispensável (...) Mas, do ponto de vista da psicologia, o significado de cada palavra é uma generalização ou um conceito. E como as generalizações e os conceitos são inegavelmente atos de pensamento, podemos considerar o significado como um fenômeno do pensamento.' (Vygotsky, 1989,p. 104.)" (Oliveira, 1993.)
Na concepção de Vygotsky sobre o significado da palavra encontra-se uma clara conexão entre aspectos cognitivos e afetivos, o dito e o sentido no funcionamento psicológico. A palavra tem o significado objetivo e o sentido da palavra varia conforme a pessoa que a usa e o contexto em que é aplicada. Para um motorista a palavra carro significa trabalho; para o jovem significar forma de lazer; para um pedestre um sentido ameaçador... O sentido da palavra liga seu significado objetivo ao contexto de uso da língua e aos motivos afetivos e pessoais dos seus usuários. Relaciona-se com o fato de que a experiência individual é sempre mais complexa do que a generalização contida nos signos." (Oliveira, 1993). A linguagem sempre requer interpretação. "Para compreender a fala não basta entender as palavras, temos que compreender o seu pensamento e sua motivação. Nenhuma análise psicológica de um enunciado estará completa antes de se ter atingido esse plano" (Vygotsky, 1989, p. 130).
O DISCURSO INTERIOR
A construção do significado envolve a internalização da linguagem, um aspecto particularmente relevante. Na aquisição da linguagem a criança primeiro usa a comunicação gestual como forma de contato social, depois vai desenvolvendo a fala que passa a servir como instrumento de pensamento, de adaptação pessoal.
A forma internalizada da linguagem, chamada "discurso interior",dirige-se ao próprio sujeito e não a um interlocutor externo. Tem uma estrutura peculiar, diferente da fala exterior. É um diálogo consigo mesmo. Sua função é apoiar os processos psicológicos mais complexos: pensamento, auto-regulação, planejamento da ação, monitoração do próprio funcionamento afetivo. No plano interno da consciência, as várias dimensões do funcionamento psicológico se interagem. Embora muito importante para o pensamento o papel da linguagem interna refere-se à dimensão cognitiva do funcionamento psicológico. "As palavras desempenham um papel central não só no desenvolvimento do pensamento, mas também na evolução histórica da consciência como um todo. Uma palavra é um microcosmo da consciência humana." (Vygotsky, 1989, p. 132).
"Quando associado a uma tarefa que é importante para o indivíduo, quando associado a uma tarefa que, de certo modo, tem suas raízes no centro da personalidade do indivíduo, o pensamento realista dá vida a experiências emocionais muito mais significativas do que a imaginação ou o devaneio. Consideremos, por exemplo, o pensamento realista do revolucionário ao contemplar ou estudar uma situação política. Quando consideramos um ato de pensamento relativo à resolução de uma tarefa de importância vital para a personalidade, torna-se claro que as conexões entre o pensamento realista e as emoções são freqüentemente muito mais profundas, fortes, impulsionadoras e mais significativas do que as conexões entre as emoções e o devaneio." (Vygotsky, 1987, p. 348).
A TEORIA DA EMOÇÃO
A atividade emocional é complexa, paradoxal, social e biológica em sua natureza; realiza a transição entre o estado orgânico do ser e a sua etapa cognitiva, racional, que só pode ser atingida através da mediação cultural, isto é, social. A consciência afetiva é a forma pela qual o psiquismo se manifesta. Pelo vínculo imediato que instaura, ela garante o acesso ao universo, a cultura de seus pares.
Na psicogenética de Henry Wallon, a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento. Ambos se iniciam num período que ele denomina impulsivo-emocional e se estende ao longo do primeiro ano da vida. Neste momento a afetividade reduz-se praticamente às manifestações fisiológicas da emoção, que são o ponto de partida do psiquismo. A sua teoria da emoção, extremamente original, tem uma nítida inspiração darwinista: ela é vista como o instrumento de sobrevivência típico da espécie humana, que se caracteriza pela escassez da prole e pelo prolongado período de dependência. Se não fosse pela sua capacidade de mobilizar o ambiente para atender suas necessidades, o bebê pereceria. Seu choro atua de forma intensa sobre a mãe: esta função biológica dá origem a um dos traços característicos da expressão emocional. Assim a razão nasce da emoção. Constitui experiência corriqueira a perda de lucidez produzida pelos estados emocionais intensos; menos óbvia é a mutação (sublimação) que transforma emoção em ativação intelectual e assim a reduz. Esta posição da emoção ilustra o significado da afirmação walloniana de que o psiquismo é uma síntese entre o orgânico e o social: Sua natureza contraditória vem daí, do fato de participar de dois mundos e ter como função fazer a transição entre eles.
A teoria da emoção pode ser também genética para acompanhar as mudanças funcionais. Para Wallon é preciso considerar o fato de que, em sua origem, a conduta emocional depende de sua expressão involuntária e incontrolável. A emoção descontrolada corresponde a atuação do nível cerebral que esteja atuando, e seus efeitos se darão em uma ou outra direção. Assim pode-se compreender melhor as características da emoção. Analisando seus componentes fisiológicos, as alterações viscerais e metabólicas que a acompanham, Wallon encontra por trás delas flutuações do tônus muscular, seja o das próprias vísceras, seja da musculatura superficial. A toda alteração emocional correspondente uma flutuação tônica; modulação afetiva e modulação muscular. Aprofundando sua tese acerca do papel do tônus, Wallon classifica: emoções de natureza hipotônica, isto é, redutoras do tônus: susto e a depressão- Um medo súbito é capaz de dar instantaneamente ao corpo a consistência de um boneco de trapos. Outras emoções são hipertônicas, geradoras de tônus: cólera e a ansiedade, capazes de tornar pétrea a musculatura periférica. Onde se estabelece um fluxo tônico vem o caráter prazeiroso das situações afetivas, de tal sorte que ele se eleva e se escoa imediatamente em movimentos expressivos: alegria. A ativação ou redução da afetividade tem controles cerebrais, pode ser instigada ou reduzida por agentes químicos que atuem diretamente ali. Mantém relações de antagonismo com a atividade cognitiva: manter alguém em estado de ansiedade resulta em fracasso. Também são confusamente conhecidas, no nível empírico, os efeitos das massagens e do relaxamento. A análise walloniana põe três diferentes entradas para a obscura região em que se formam e reduzem as manifestações passionais; uma de natureza química, central; outra de tipo mecânico-muscular, periférica, e outra ainda de natureza abstrata, representacional.
CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO EMOCIONAL
O comportamento emocional tem função basicamente social. Esta característica não observada traz grave prejuízo para a compreensão dos processos interpessoais, especialmente das interações entre crianças e adultos. As crianças são essencialmente emotivas e contagiam emocionalmente os adultos. A ansiedade infantil, por exemplo, pode produzir angustia ou irritação no adulto. Resistir a esta forte tendência implica em conhecê-la para reverter o processo. No seu caráter social tem ainda a tendência em nutrir-se com a platéia. A manifestação da criança deixada a sós tende a extinguir rapidamente. A emoção traz consigo a tendência para reduzir a eficácia do funcionamento cognitivo. A qualidade final do comportamento dependerá da capacidade para retomar o controle da situação. Se for bem-sucedido, soluções inteligentes serão facilmente encontradas, e neste caso embora a emoção não desapareça, pelo menos se reduzirá. Quando não consegue transmutar-se em ação mental ou motora, isto é, quando permanece emoção pura, produz efeitos desorganizadores, imprevisível, anárquica, explosiva e por isso assustadora. No seu auge coincide com o período de imperícia máxima do ser, uma vez que ela tem por função supri-la, através da mobilização do outro. A emotividade é diretamente proporcional ao grau de inaptidão, de incompetência, de insuficiência de meios. Na vida adulta ela tende a surgir nas situações para as quais não se tem recursos, nas circunstâncias novas e difíceis. Se aproximarmos estas duas características, teremos um "circuito perverso" da emoção: surge nos momentos de incompetência, e devido ao seu antagonismo estrutural com a atividade racional, provoca ainda maior insuficiência. Na interação entre adultos e crianças, cuja temperatura emocional é mais elevada, os resultados do "circuito perverso" fazem-se sentir freqüentemente. A revolução orgânica provocada pela emoção concentra no próprio corpo a sensibilidade: ocupada com as próprias sensações viscerais, metabólicas, respiratórias, corporais, fica diminuída a acuidade da percepção do exterior. Uma forma confusa da sensibilidade apaga a percepção intelectual e analítica do exterior. A sensibilidade tem um nível afetivo e outro cognitivo, assim como a motricidade e a linguagem.
O caráter contagioso da emoção vem do fato de que ela é visível, abre-se através da mímica, gestos, expressão facial... As manifestações mais ruidosas do início da infância (choro, riso, bocejo, movimentos dos braços e das pernas) atenuam-se sem dúvida, porém a atividade tônica persiste, permitindo ao observador sensibilizado captá-la. Há uma comunicação forte e primitiva. Enquanto não for possível a articulação sofisticada e diferenciada, a emoção garantirá uma forma de solidariedade afetiva.
AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA
A elaboração do conhecimento depende da construção do sujeito nos quadros do desenvolvimento humano concreto. A afetividade não é apenas uma das dimensões da pessoa: ela é também a fase mais arcaica do desenvolvimento. O ser humano é um ser afetivo e racional. A reciprocidade entre os dois desenvolvimentos se mantém de tal forma que as aquisições de cada uma repercutem sobre a outra permanentemente. Ao longo do trajeto, elas alternam preponderâncias, e a afetividade reflui para dar espaço a intensa atividade cognitiva assim que a maturação põe em ação o equipamento sensório-motor necessário à exploração da realidade. A partir daí, a história da construção da pessoa será constituída por uma sucessão de momentos predominantemente afetivos ou cognitivos, não paralelos, mas integrados. Cada novo momento terá incorporado as aquisições feitas anteriormente.
Depois que a inteligência construiu a comunicação falada e escrita, alarga seu raio de ação. Se acrescenta ai o toque e a entonação da voz. Nasce então a exigência racional às relações afetivas: respeito recíproco, justiça, igualdade de direitos etc. Não atendê-las tende a ser percebido como desamor
A inteligência passa por fases de desenvolvimento assim como a afetividade. Na forma adulta aparece a sexualidade que se desenvolve à margem da racionalidade, num momento inicial de pura emoção que depois tende a se racionalizar. Ambos os processos são sociais, embora em sentidos diferentes: no primeiro, social é sinônimo de interpessoal; no segundo, é o equivalente de cultural.
AS ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DO EU
A construção do Eu mergulha suas raízes em uma etapa orgânica, que corresponde ao acabamento da embriogênese fora do útero materno. Durante os três primeiros meses, o recém-nascido dorme a maior parte do tempo, e responde a estímulos de natureza interna, às suas próprias sensações viscerais e posturais, muito mais do que a estímulos do ambiente externo. O bebe se ocupa primordialmente com seu "Eu" corporal e reage muito pouco aos objetos do mundo físico. O ponto de partida do longo desenvolvimento que conduzirá ao pensamento são os movimentos reflexos e os impulsivos. Os movimentos corporais são inoperantes. Quando há desconforto dá sinais interpretados como necessidade a ser atendida. Logo se tornam movimentos comunicativos. A mediação social está, pois, na base do desenvolvimento: ela é a característica de um ser que Wallon descreve como sendo "geneticamente social", radicalmente dependente dos outros seres para subsistir e se construir enquanto ser da mesma espécie. Em poucas semanas, em função das respostas do meio humano, os movimentos impulsivos se tornam movimentos expressivos: a partir daí, até o final do primeiro ano, o principal tipo de relação que o bebê manterá com o ambiente será de natureza afetiva: é um período emocional. Neste curso, o que interessa à relação social, e por conseguinte à atividade cognitiva, como os estímulos auditivos e visuais, despertam, com reações exploratórias e afetivas: alegria, surpresa, medo. Daí a afirmação walloniana de que a inteligência não se desassocia da afetividade, cuja conseqüência inevitável é que, neste momento, estimular a primeira equivale a nutrir a segunda. O bebê se comunica com a mãe através de toques, carícias, contatos visuais, voz em seus aspectos mais elementares: melodia, ritmo, altura, modulação. A presença humana é o mais poderoso estimulante. Objetos oferecidos por pessoas têm muito maior probabilidade de produzir interesse. Movimentos e vozes humanas são um espetáculo mais atraente do que os fenômenos do mundo físico. A maturação das possibilidades da visão, audição, sensorial e motora acelera este quadro na medida em que explora o meio. Deslocar-se com autonomia completa a competência necessária e configura-se uma nova fase. Agora há um intenso interesse pela realidade externa e se manifesta pela atividade exploratória imoderada. Sensório-motor é a denominação que Wallon atribui a este período.
Entre o segundo e o quarto ano, há uma aproximação entre sensório-motor e simbólico. Em rápida sucessão, instalam-se duas possibilidades diferentes de lidar com o real: a maneira direta, instrumental e a maneira simbólica, onde o objeto não é o que é e sim o que significa. A dissociação entre significante e significado introduz uma nova dimensão na gestualidade, para a qual Wallon cunhou a expressão "ideomovimento".
Quase ao mesmo tempo em que se torna apta a atuar por si mesma sobre a realidade, a criança, graças a sua condição de herdeira da cultura, torna-se também capaz de transcendê-la. A partir daí, a história do desenvolvimento da sua inteligência será também a história da superação do aqui e agora, no qual se incluem os seus próprios estados afetivos momentâneos. O antagonismo existente entre o ato motor e o ato mental opera iniciando a lenta inibição (sinônimo de interiorização) da motricidade; a denominação "sensório motor/projetivo" indica a proximidade entre uma forma de lidar com a realidade e aquela outra que a reduzirá. A intensa atividade cognitiva desta fase dá lugar a uma igualmente intensa atividade de construção de si. O primeiro período tinha realizado um esboço de recorte corporal. A exploração sistemática dos próprios limites, a surpresa na descoberta de pés e mãos prosseguirá na etapa seguinte, com tomada de posse da própria imagem ao espelho. Conhecer-se de fora para dentro, instrumentada pela função simbólica, a percepção de si poderá transformar-se em "consciência de si" ampliando-se na direção do passado e do futuro. A tarefa evolutiva passa a ser essa, e ela corresponde a trazer para o plano da pessoa uma conquista que é da ordem da inteligência. Tal elaboração se faz pela interação. A simbiose fetal, prolongada na simbiose alimentar e afetiva do lactante, precisa ser rompida para dar lugar a uma individualidade diferenciada. É necessária uma ruptura, que assume um caráter muitas vezes explosivo. O conflito faz parte do desenvolvimento normal, desempenha uma função ativadora. A construção do Eu de um processo condenado ao inacabamento: persistirá sempre, dentro de cada um, o que Wallon chama de "fantasma do outro", de sub-eu (_sous-moi).
Controlado, domesticado normalmente, o "outro" pode irromper nas patologias, oferecendo o quadro das personalidades divididas. Mesmo dentro da normalidade, estados passionais momentâneos, cansaço, intoxicação, podem borrar as fronteiras precárias que separam o mundo interno do externo. É este drama que ocupa dominantemente o quarto, o quinto e o sexto ano, numa sucessão de manifestações que vão desde a rebeldia e o negativismo em estado quase puro, à sedução do outro e depois à sua imitação. O eu ainda frágil precisa da admiração alheia para completar a sua construção, e assim oferece-se em espetáculo. Depois, usa o outro que negou ferozmente há pouco como modelo para a ampliação das próprias competências. É inevitável a tentação de aproximar esta descrição daquela que a psicanálise faz do drama edipiano. Conflito, sedução, identificação, os mesmos elementos, mais ou menos na mesma época, estão presentes, mas de forma laicizada. Eles dão colorido à relação com os outros em geral, e não apenas com a figura paterna. Esta sucessão de predominâncias corresponde a uma seqüência de necessidades a serem atendidas; fica bem claro, embora apenas implícito na teoria, o que cabe à educação em cada um dos seus momentos. A satisfação das necessidades orgânicas e afetivas, a oportunidade para a manipulação da realidade e a estimulação da função simbólica, depois a construção de si mesmo. Esta exige espaço para todo tipo de manifestação expressiva: plástica, verbal, dramática, escrita, direta ou indireta, através de personagens suscetíveis de provocar identificação.
A superação do sincretismo da pessoa poderá então ser transposta para o plano da inteligência e permitir a gradual superação do sincretismo do pensamento. A diferenciação dos pontos de vista supõe a diferenciação das pessoas: um certo nível de evolução da pessoa é condição essencial para o progresso da inteligência. Mas não é condição única: Ambos, na realidade, dependem de acontecimentos que ocorrem nos níveis do psiquismo: o biológico e o social. É preciso que a maturação cerebral possibilite a saúde do organismo quanto a estimulação ambiental.
No plano social, é necessária não só a interação, mas também a transmissão de conhecimentos. O refinamento das diferenciações conceituais depende tanto das possibilidades intelectuais de cada um quanto do grau de elaboração atingido pela cultura. Em função destes determinantes a inteligência prosseguirá a sua tarefa de introduzir acordo com as coisas e consigo mesma. O confronto é fator de ativação do pensamento. Diferenciação e integração, análise e síntese, relações articuladas entre idéias e coisas, substituirão o sincretismo.
É preciso reinstalar-se dentro do próprio corpo, conviver com seus apelos novos para novas definições do Eu. A pessoa se abre para dimensões ideológicas, políticas, metafísicas, éticas, religiosas, que precisa preencher. Se a interpretação walloniana da adolescência estiver correta, o interesse teórico do jovem estará longe de ser impessoal e abstrato. Pelo contrário, um caso pessoal, passional mesmo, onde a grande questão é descobrir de que lado ele próprio estará. A ampliação se dá também na dimensão temporal: agora o futuro tem tanta importância para defini-lo quanto tinha o passado para definir a criança. Desde a etapa anterior a personalidade vinha se tornando capaz de assumir diferentes funções e ocupar diferentes posições nos vários grupos, o que agora se reforça e se amplia, confrontando o jovem com tarefa imposta por toda a diferenciação: realizar a integração complementar, sob pena de desintegrar-se. Manter um eu diferenciado e ao mesmo tempo integrado, não é simples: requer toda a extensão da inteligência.
INTELIGÊNCIA E PESSOA
Nesta vinculação está uma das mais belas intuições da teoria walloniana: a de que a sofisticação dos recursos intelectuais é utizável na elaboração de personalidades ricas e originais. Neste sentido, a construção do objeto está a serviço da construção do sujeito. O produto último da elaboração de uma inteligência, concreta, pessoal, corporificada em alguém, é uma pessoa. A construção da pessoa é uma autoconstrução. O processo que começou pela simbiose fetal se transforma na individualização que vai de um tipo de sociabilidade a outro, através da socialização. Não há nada mais social do que o processo através do qual o indivíduo se singulariza, constrói a sua unicidade. O vínculo afetivo supre a insuficiência da inteligência no início, cria os elos necessários à ação coletiva. Com o passar do tempo, a esta forma primitiva se acrescenta a outra, mas, em todos os momentos o ser humano dispõe de recursos para associar-se aos seus semelhantes. A idéia da construção da unicidade é luminosa. A apreensão de si mesmo parece tão fugaz quanto uma bolha de sabão, ameaçada pelas simbioses afetivas, pelos estados pessoais de emoção ou mesmo de mero cansaço.
O QUE É MAIS SIGNIFICATIVO NO TEXTO
O texto busca construir, por meio da reunião de informações nos trabalhos de vários autores, uma compreensão a respeito da afetividade nas relações sociais, do conhecimento, do funcionamento psicológico e desenvolvimento do ser humano. Destaca-se como uma constante a importância das conexões, profundas, entre as dimensões de desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e do funcionamento psicológico do homem. A exploração do lugar do afetivo torna-se particularmente interessante pelo fato de propor uma abordagem unificadora das dimensões humanas e seu funcionamento que muito se aproxima da realidade vivida por nós, na sala de aula e na vida.
BLIBLIOGRAFIA
A Afetividade e a Construção do Sujeito na Psicogenética de Wallon Heloysa Dantas
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